domingo, 25 de dezembro de 2011

Naquele tempo, mandaram todas as árvores fazerem oferendas a Olorum, mas nenhuma deu importância ao conselho. Somente a cajazeira fez a oferenda. Daí por diante, todas as árvores, quando tombam, morrem rapidamente. Exceto a cajazeira que, mesmo caída ao chão, sempre grela e renasce.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011





Pessoal,

Para quem quer digitar textos em Yoruba e tem dificuldade de encontrar aqueles sinais todos, trouxe duas fontes ttf:

Yoruba Ok
http://www.yorubadictionary.com/YORUBAOK.TTF

Yoruba Sans
http://www.abibitumikasa.com/YorSans.TTF

Infelizmente, ou você compra um teclado para o idioma yoruba, com teclas diferentes como já vimos em outra postagem "Òrişà ou Orixá?" e está na imagem abaixo, ou vai inserindo os símbolos enquanto digita, em um trabalho enorme, mas que tem um resultado legal. Como serão apenas para algumas palavras específicas ou citações no idioma original e não para o texto inteiro, vai ser tranquilo.

Na Internet, também vi disponível um programa (que segundo o site, rodava apenas em Win95 e 98) que adaptava o teclado ABNT pra Yoruba. Então já dava para digitar normalmente. Além de quase ninguém usar mais essas versões do Sistema Operacional, esses programinhas depois causam mais prejuízo que benefício. Quem já sofreu com o idioma mudando de Português para Inglês automaticamente no XP enquanto se digita, sabe.

Espero que seja útil.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mostra da Culinária de Terreiro aporta no Museu da Abolição

Evento, que acontece de sexta (24) a domingo (26 ), oferece ao público a oportunidade de conhecer - e degustar gratuitamente - as iguarias servidas nas Casas de Candomblé

Da Redação do pe360graus.com

Divulgação| Luiz Santos

Foto: Divulgação| Luiz Santos

A riqueza de sabores da gastronomia afro-brasileira ganha destaque na segunda edição da Mostra da Culinária de Terreiro de Pernambuco. O evento, que este ano aporta no Museu da Abolição entre os dias 24 e 26 de setembro, oferece ao público a oportunidade de conhecer - e degustar gratuitamente - as iguarias servidas nas Casas de Candomblé durante os rituais da religião de matriz africana, também conhecida como Xangô.

Além de saborear delícias como o "Padê" e o "Ekurú", os visitantes receberão informações sobre a história e a significação religiosa das receitas. A entrada também é gratuita.

Ao todo, 13 tendas estarão montadas na área externa no Museu, cada uma delas administrada por um terreiro de Candomblé de Pernambuco, selecionados pelo Centro de Cultura Afro Pai Adão. Cada estande apresentará comidas ligadas a um determinado deus africano, chamados de “Orixás”.

Haverá ainda uma barraca dedicada às crianças, ou “erês”, com pipocas, balas e outras guloseimas. A concessão aos pequeninos se deve à proximidade do Dia de Cosme e Damião, comemorado em 27 de setembro, que, na tradição do Candomblé é representado pelo Orixá Beiji.

Entre as receitas que integram a Mostra, algumas já familiares aos pernambucanos, como o Acarajé e o Vatapá. A maior parte dos pratos, no entanto, ainda é restrita aos adeptos dos rituais realizados nas Casas de Candomblé, a exemplo do Padê (farinha de mandioca, cebola), frango para Exu na Nação Xambá (frango, azeite de dendê e cebolinho) e do Ekurú (feijão macaça, azeite de dendê, camarão e cebola).

Há, ainda o Beguiri, à base de carne e quiabo, e, novidade nesta edição da mostra, a moqueca de peixe que, segundo Manoel Papai, é diferente das preparadas nos terreiros baianos.

Realizada pela empresa de Produção Cultural Aurora 21, com patrocínio do Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco (Funcultura), a programação da Mostra contemplará ainda apresentações de cânticos em ritmos africanos e toadas em línguas africanas.

ATRAÇÕES
Além das próprias barracas com comidas, a Mostra de Culinária de Terreiro vai promover, a cada dia, uma atração artística significativa da cultura afro. Veja a programação:

DIA 24/09 (sexta-feira)
19h - Abertura com apresentação do ritual de cânticos sagrados a serem entoados nas línguas africanas das nações Xambá, Iorubá e Bantu, com percussão de ilus (atabaques), abês e agogôs.

DIA 25/09 (sábado)
18h - Apresentação do grupo de afoxé Povo de Ogunté, remanescentes de Pai Adão, considerado a maior personalidade do Xangô no Recife.

DIA 26/09 (domingo)
18h - Apresentação do maracatu mirim "Raízes de Pai Adão", formado por tataranetos de Pai Adão

SERVIÇO
Mostra da Culinária de Terreiro de Pernambuco
Quando: de 24 a 26 de setembro de 2010, das 16h às 21h.
Onde: Museu da Abolição (Rua Benfica, 1150 - Madalena - Recife/PE)
Quanto: entrada gratuita

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mais notícias do Festival

Brindar e comer como santo

Publicado em 20.08.2010, às 19h59

Flávia de Gusmão Do Jornal do Commercio
Risoto ao axé de frutos do mar, com tilápia na manteiga de ervas é a pedida do Varekai
Risoto ao axé de frutos do mar, com tilápia na manteiga de ervas é a pedida do Varekai
Foto: Divulgação

Coquetéis ganham o espaço que merecem no Festival Comida de Santo, realizado entre os dias 23 e 31 de agosto em 14 restaurantes do Recife e de Olinda. O evento gastronômico propõe menu temático (R$ 45 que incluem drinque de boas vindas, entrada, prato principal e sobremesa) montado a partir dos elementos que compõem o perfil de cada orixá das religiões de origem africana.

O festival tem a consultoria gastronômica do chef Leandro Ricardo, que foi o primeiro a transpor para as mesas dos restaurantes do circuito estrelado, com a devida releitura, as comidas cerimoniais do candomblé.

Se é a partir do welcome drink que conhecemos o valor de um evento como este, então, o Festival Comida de Santo está um verdadeiro primor em termos de criatividade, empenho e coerência com o mote proposto. Os orixás representados têm, por assim dizer, gostos muito específicos no que diz respeito à sua alimentação. Uns gostam de milho, outros de pimenta, outros de suculentos cozidos, outros de farofa e assim por diante. Obviamente, estes ingredientes devem surgir nos pratos que representam a divindade.

No que diz respeito aos coquetéis criados especialmente para o evento, sobressaem-se características como cores e elementos da natureza a eles associados. Por exemplo, o drinque criado pelo Afonso&Anísio – a caipirinha de maçã vermelha – alude ao encarnado, cor por excelência do santo guerreiro Xangô. No menu, estão opções como o abará de frutos do mar, a polenta branca, com ragu de rabada e farofa de camarões . Como sobremesa: choux de maçã vermelha em calda de maçã do amor.

O Thaal brinda Oxóssi, o orixá da caça e da fartura, com uma caipirinha de maracujá e manga com picolé de limão. Por comer tudo quanto é caça, nada mais apropriado a este santo do que um menu composto por bolinho de feijão branco recheado com confit de avestruz (entrada) e tournedor de javali com purê de batata doce cítrico (principal). Se Ossaim é a entidade das folhas sagradas, ervas medicinais e litúrgicas, então, o coquetel proposto pelo La Douane, seu hospedeiro, é perfeito: uma variação rabo de galo que, em vez do vermute mistura a cachaça com vinho do Porto e o limão torcido para liberar seus óleos essenciais.

Tudo bem curativo, ou não? Em seu cardápio, o La Douane traz minimix de verdes com charuto de legumes grelhados nas ervas, nhoque de mandioca ao ragu de codorna e pannacota de coco ao molho quente de manga com especiarias.

RESTAURANTES PARTICIPANTES

Afonso & Anísio
Santo: Xangô
Welcome drink: Caipirinha de maçã vermelha
Entrada: Abará de frutos do mar
Prato principal: Polenta branca, com ragú de rabada e farofa de camarões
Sobremesa: Choux de maçã vermelha em calda de maçã do amor

Beijupirá

Santo: Iansã
Welcome drink: Champagne com bolinhas de melancia
Entrada: Acarajini –Blini de acarajé com vatapá e camarões no azeite de côco
Prato principal: Bobó de camarão com manga, arroz de amendoim e gengibre
Sobremesa: Maçã cozida com calda de chocolate branco e menta

Ça-Va

Santo: Oxalá
Welcome drink: Caipi citron /pomme: caipirinha de Pitu Gold, limão siciliano e maçã verde
Entrada: Escargots à nouvelle bourguignone: caracóis a molho cremoso ao azeite de ervas e alho com torradas de pão de tapenade
Prato principal: Le Canard: coxa de pato confit em crosta, molho de cogumelos e risotto de pêra ao vinho tinto e gorgonzola
Sobremesa: Blanc des Blancs: mousse de chocolate branco e cream cheese com calda de mel, especiarias e uvas passas brancas ao sauternes

Dalí Cocina

Santo: Nanã
Welcome drink: Levanta Saia
Entrada: Terrine de Munguzá com chips de batata doce e redução do Levanta Saia.
Prato principal: Resgate do Mangue: linguini de tinta de lula com purê de feijão fradinho, txangurro de carne de caranguejo com mariscos ao coco e redução cítrica de beterraba e laranja.
Sobremesa: Cestinha de massa de tapioca com compota de açaí e coulis de amora.

In Bistrô

Santo: Obá
Welcome drink: Caipirinha de Reis: Pitu Gold, romã e limão siciliano
Entrada: Caprese chaude - Sarcófago de massa folhado ao tomate, queijo e manjericão e mix de folhas
Prato principal: Filé ao pout pourri de cogumelos com linguine fresco ao molho de queijo taleggio
Sobremesa: Petit gateau de frutas vermelhas com sorvete de iorgute

It
Santo: Ibeji
Welcome drink: Tradicional caipirinha
Entrada: Caldinho de camarão do chef
Prato principal: Vatapá do chef com moqueca de camarão e farofa de dendê
Sobremesa: Bolo de tapioca com calda quente de gengibre

Just Madá
Santo: Logun Edé
Welcome drink: Limonada suíça com toque de cachaça
Entrada: Eko - polenta de forno servida com tilápia ao confit de ervas pernambucanas.
Prato principal: Ipeté - inhame rosti servido com camarão ao veludo de côco verde.
Sobremesa: Oin - mousse de batata doce servida com lâminas de frutas cítricas e mel.

La Comédie
Santo: Omulu
Welcome drink: CaipIfruta Abre Caminhos: caipifruta de limão e abacaxi ao hortelã
Entrada: Atotô de Omulu - Salada de queijo de cabra, tomate seco e bacon crocante ao azeite de manjericão
Prato principal: Bisteca de Porco Xarxará - bisteca de porco ao molho de mostarda e abacaxi acompan­hada de tian de abobrinha
Sobremesa: Doçura para Omulu: crumble de maçã, banana e coco com sorvete de tapioca

La Douane
Santo: Ossain
Welcome drink: Rabo de galo português ao óleo de limão
Entrada: Mini-mix de verdes com charuto de legumes grelhados nas ervas
Prato principal: Nhoque de mandioca ao ragu de codorna
Sobremesa: Pannacota de coco ao molho quente de manga com especiariais.

Maison do Bonfim
Santo: Ogum
Welcome drink: com cachaça
Entrada: Salada de Fígado
Prato principal: Galo ao molho curry e pimentões coloridos, acompanhado de tutu de feijão preto com arroz de fraldinha e purê de inhame.
Sobremesa: Mousse de graviola

Oficina do Sabor
Santo: Oxum
Welcome drink: Ijexá - Dança de ritmo cadente e sensual, Caipirinha de Pitu Gold com frutas amarelas ao hortelã e limão siciliano
Entrada: Borí - Uma degustação com amuses bouches, entradinhas pra se divertir e entender um pouco do universo da deusa africana que rege a beleza, riqueza e fertilidade
Prato principal: Omi ro wanran wanran wanran omi ro! As águas do rio fazem ruídos dos braceletes de Oxum! Oxum muito vaidosa, polia suas várias pulseiras de cobre à beira do riacho, antes mesmo de lavar seus filhos. Peixe assado com camarões, creme de açafrão com papardelli ao azeite de manjericão
Sobremesa: Doce pra Oxum: Tal como Romeu e Julieta, Oxum e Xangô tiveram um romance intenso e impossível: Queijo com goiabada em nova roupagem A banana normalmente é oferecida em forma de doce pra oxum. Reinterpretação da nossa Cartola

Pantagruel
Santo: Oxumaré
Welcome drink: Caipirinha de melancia com gengibre
Entrada: Lagosta grelhada sobre mousse da terra: lagosta grelhada com mousse de tomate, cenoura, milho e espinafre.
Prato principal: Camarão com frango: camarões e pedaços de frango ao molho de côco com purê de batata doce e farofa de dendê.
Sobremesa: Mousse de figo: mousse de figo com banana maçaricada com açúcar, canela e cachaça.

Thaal Cuisine
Santo: Oxossi
Welcome drink: Capilé: caipirinha de maracujá e manga com picolé de limão
Entrada: (F’É –JÃ-O.) Pêndulo de bolinho feijão branco crocante perfumado com coentro, recheado com confit de avestruz puxado com molho de vinho varietal suspenso.
Prato principal: (Ó.xÓ.SSi) Torre de tournedor de javali intercalado com cinta crocante cravejado com lança, guarnecido com purê de batata doce cítrico em textura de milho defumado e molho de vinho perfumado com alecrim.
Sobremesa: (Vérte) Monocromática de contas verdes.

Varekai
Santo: Iemanjá
Welcome drink: Caipirinha de tamarindo com açúcar de canela
Entrada: Odoiá de Vieiras: pérola de vieira empanada em milho com redução de moqueca e molho de pimentas da Sé
Prato principal: Abebé de Oxum para Iemanjá: risoto ao axé de frutos do mar, com tilápia na manteiga de ervas e espelho de acerola
Sobremesa: Chimbalauê: Sorvete de caipirinha com tartelete de limão siciliano

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fertival de comida africana nos restaurantes do Recife

Oficina do Sabor, do chef César Santos, é um dos restaurantes participantes do Festival.








Elementos da cultura africana, como os orixás, prometem aquecer o mercado gastronômico local. É que entre os dias 23 e 31 deste mês, 14 restaurantes do Recife e Olinda recebem o “Festival Comida de Santo”. O menu, composto por drink de boas-vindas, entrada, prato principal e sobremesa, custará R$ 45 em todos os estabelecimentos participantes. O evento, inédito no Estado, integra o Ano da Gastronomia no Recife e espera incrementar entre 40% e 45% o movimento nos restaurantes.

“O Festival reforça a multiculturalidade de Pernambuco, fator que atrai muitos turistas. Já quem mora aqui vai ser atraído pela oportunidade de conhecer novas culinárias com um preço acessível”, observa a coordenadora do Ano da Gastronomia no Recife, Mayse Cavalcanti. Cada menu irá homenagear um orixá.

O restaurante Varekai, em Boa Viagem, está reabrindo as portas após a fusão com o Da Noi e vai aproveitar o evento para chamar frequentadores. “Com o Festival, pretendemos renovar o perfil dos clientes, reforçando o novo formato que assumimos no espaço, de misturar comida brasileira com a internacional”, conta a sócia do empreendimento, Karina Cunha.

“Recife é o terceiro maior polo gastronômico do Brasil”, lembra a vice-presidente da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), Luciana Carvalho. “Muitas pessoas de outros estados do Nordeste, como a Paraíba, e do Interior do Estado vêm para a capital por causa da variedade gastronômica”, acrescenta.

Os restaurantes participantes são: Afonso & Anísio, Beijupirá, Ça-Va, Dalí Cocina, In Bistrô, It, Jus Madá Logun, La Comédie, La Douane, Maison do Bonfim, Oficina do Sabor, Pantagruel, Thaal Cuisine e Varekai.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Apresentações do Korin Orishá na Torre Malakoff

Korin Orishá: representação musical da cultura e religiosidade Afro-Recifenses






























































































“As melodias transcritas, passadas às pautas, foram arranjadas em estruturas harmônicas e polifônicas, adicionando-se a polirritmia dos atabaques, instrumentos de percussão sagrados do candomblé.

O disco foi produzido por José Amaro com intenções didáticas, para transmitir nas escolas, em todos os níveis (do primário ao universitário), a história dos orishás, assim como a dos instrumentos.”
Fonte da citação: http://www.estudiocarranca.com.br/blog/2009/07/korin-orisha-suite-afro-recifense/

É com imensa honra que hoje divulgamos as apresentações desse grupo que representa religiosidade, cultura, e boa música. Sendo regido pelo Professor José Amaro (sua bençao, meu velho!).

As apresentações ocorrerão durante o mês de Agosto, na Torre Malakoff, em Recife/PE .
Terças, quartas e quintas de Agosto de 2010
03, 05, 10, 12, 17 e 19 – A partir das 15 horas
04, 11, 18 e 19 – A partir das 10 horas

Axé!

(http://ocandomble.wordpress.com)

sábado, 10 de julho de 2010

A iniciação


A INICIAÇÃO
por Márcio de Jagun
(Texto retirado do site http://ocandomble.wordpress.com)


Não há nada mais difícil, desafiador e ao mesmo revelador do que o a iniciação no Candomblé.
O processo iniciático começa com uma lenta regressão. A pouco e pouco, vamos nos desligando da vida profana exterior ao Barracão e mergulhando no ambiente do Terreiro.Nessa imersão, somos gradativamente limpos de todas as energias negativas, das vaidades, das individualidades; e vamos sendo apresentados a uma nova sociedade: a Comunidade de Axé. Essa sociedade tem regras e rotinas próprias. E para bem entendermos essa dinâmica ímpar, aprendemos logo de início os pilares básicos: obediência aos mais velhos, humildade e solidariedade.

Na iniciação, reaprendemos tudo. Reiniciamos a vida. Renascemos para o Orixá e com o Orixá. Inicialmente nos parece incômodo e sem sentido só falarmos quando nos é dada licença; não olharmos nos olhos dos nossos interlocutores; sermos privados das mais íntimas e básicas escolhas. Mas essas são profundas e sábias instruções. São indicativos de que devemos aprender a “sentir”, antes mesmo de aprendermos a “agir”. É dessa sensibilidade, é dessa dedicação que o Orixá precisa para se manifestar em nós de forma plena.

Esse período de regressão e imersão é único. Nunca em toda a nossa existência, teremos 21 dias de retiro para pensarmos exclusivamente em nossa vida. Repensarmos nossos atos, reprojetarmos nossas estratégias de vida, desenvolvermos nossa relação com os Orixás. Neste período, conhecemos suas histórias, regências, energias, rezas, cânticos, toques, danças, mistérios e tabus.

Na iniciação, nos deparamos com as mais fortes manifestações de energia de nossa existência, até então. Morremos e nascemos, pedindo licença e bênçãos a todos os Orixás. Redirecionamos nossos odus (destinos), sedimentamos nosso vínculo definitivo com nosso Orixá. Ao contrário do que pensam, esse chamado vínculo definitivo nada tem de prisão. Pelo contrário! Os Orixás são forças da natureza e na natureza não há prisão, há liberdade! Liberdade de sentir, de perceber, de reconhecer, de intuir, de realizar. A prisão só existe na consciência pesada de cada um. Muitos homens viveram presos em celas, atados a grilhões de ferro, mas eram livres em sua fé, em seus pensamentos. Como nos ensinaram nossos ancestrais escravizados, e como modernamente nos mostrou o ícone Mandela.

Após todos os procedimentos litúrgicos, quando o Orixá dá seu nome diante da Comunidade, ali inicia a festa de nascimento de mais um adepto. Ali festeja-se a preservação e o crescimento da tradição trazida do outro lado do Atlântico, embutida no peito dos escravos. Naquele momento renasce e renova-se a esperança, a vida e a fé. Depois desse evento, como bebês recém-saídos do útero de Oxum, vamos então lentamente sendo reconduzidos à vida, experimentando novamente o retorno aos hábitos do cotidiano. Vamos valorizando a liberdade em cada gesto, em cada pequena permissão que nos é concedida.

Deveríamos falar mais sobre a iniciação. Acho importante que o iniciado valorize cada minuto dessa experiência tão especial. É importante que ele se prepare não somente para os ritos, mas para o fenômeno de renascer. Para a rara oportunidade de reescrever a sua história. Desejo que os abiãns não queiram se iniciar pela mera vaidade de serem adoxados.
Desejo que o exercício de humildade aprendido, seja praticado também do lado de fora do roncó.

Desejo que os irmãos se preocupem mais em orientar do que em punir.
Desejo que tenhamos sempre força para não nos afastarmos dos nossos propósitos, e acima de tudo, que não nos esqueçamos nunca de que o Candomblé é uma Religião. Não é uma seita, nem um conjunto de rituais que visam apenas sortilégios e magias, sem regras, sem moral e sem ética.
Por isso o sentido da iniciação: para que o homem velho morra em vida, cedendo espaço para que o homem novo reconduza sua existência em harmonia com os deuses, com sua consciência e com a natureza.

Que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine e ampare em nossa jornada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

É coisa de abiã

Autor desconhecido

Fazer bori, ter ori
potencializar este espaço no coração

e esperar nascer de novo.
no silêncio de uma singela oração
acolhido e equilibrado
fazer pai ou mãe
ficar encantado
no novo filho a continuação

só dois fios de contas
Oxalá e yemanjá
também só veste branco mas é benção de eledá

É coisa de Abiã
sonhar e só cantar
dançar vendo o orixá
e passar pelo bolonan

aguçar os sentidos
ouvir o som do pilão
conviver com os segredos
e os banhos de proteção

começar acreditar
no poder curativo do axé
nos rituais de esperança

renascer pela fé
dizer: no dia da minha obrigação...
se tornar mais um apaixonado
sonhar com a iniciação
reconhecer o sagrado

no ilê o sentido de irmandade
pela lógica da vida
um grito de liberdade
onde se faz a comunhão
estar atento a sabedoria
pedir para ser abençoado
ser feliz e na sintonia

seu destino melhorado
conviver na comunidade encantada
dos irmãos o que é comum
a energia emenada
do reino de Olorun!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Como fazer um axé de sucesso


video

Sempre ficamos sabendo, querendo ou não, dos novos lançamentos dos fenômenos da Música Brasileira em seus variados ritmos e expressões, do forró eletrônico, technobrega, funk e assim por diante. No entanto, o que me chama atenção é a grande valorização e o buxixo causado pelos "axés" no meio candomblecista, como se realmente fossem eles, veículos desse bem tão valioso. Será que existe conteúdo suficiente para se dizer algo com axé? As composições unem sonoridade, letra, interpretação, tudo isso dentro de um objetivo mercadológico e artístico naturalmente. Mais que "Jacarés Iemanjás" acima, cansa ouvir músicas-engodo, pseudo-homenagens a Orixás, mas cantadas em um iorubá que cola palavras e sons apenas para rimar e impressionar aos leigos.

"Odô, axé odô, axé odô, axé odô
Odô, axé odô, axé odô, axé odô
Isso é pra te levar no ilê
Pra te lembrar do badauê
Pra te lembrar de lá
Isso é pra te levar no meu terreiro
Pra te levar no candomblé
Pra te levar no altar
Isso é pra te levar na fé
Deus é brasileiro
Muito obrigado axé
Ilumina o mirin orumilá
Na estrada que vem a cota
É um malê é um maleme
Quem tem santo é quem entende"

Quem tem santo tenta entender o que Ivete e Bethânia, do Olimpo, cantaram a não ser frases rimadas sem muita coerência, mas em um arranjo belíssimo.

É esperar as próximas.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

HUMOR: Lei Seca não poupa nem Exu

Médium abordado pela PM não escapa do bafômetro

Texto: Mirna Bom Sucesso
Fotos: Renato Takahashi

(05-08-08) – Não são apenas os fãs do happy hour que terão de mudar seus hábitos com a nova Lei de trânsito, que proíbe o consumo de álcool pelos motoristas. Os adeptos de alguns cultos religiosos também terão de dar um jeito de adaptar os rituais em terreiro brasileiro.

“Duro vai ser explicar isso para Exu, Zé Pilintra, Pomba-Gira e outras entidades de esquerda que fazem uso da bebida em cerimônias religiosas”, escreve-nos o internauta Ricardo Aguiar, 42, de Brasília.

Aguiar diz ter sentindo na pele a intolerância das autoridades.
“Há 10 anos, repito o mesmo ritual: vou para o terreiro, incorporo minha entidade, que toma uma ou duas doses de cachaça, dá sua ajuda e vai embora. Nunca tinha tido problemas”.

Na madrugada da última sexta-feira, entretanto, o médium voltava da tradicional
cerimônia quando foi abordado por um policial. Ainda vestido a caráter, capa preta e chapéu – “estava muito cansado para trocar de roupa àquela hora” –, recebeu da autoridade a ordem de apresentar a carteira de motorista, documento do carro e “certo olhar de través”.

“Ele me perguntou se eu estava fantasiado de mágico”. Surpreendido com o que chamou de desrespeito, Aguiar diz que ainda tentou explicar. “Relatei que não tinha tido tempo para tirar a roupa do trabalho. O policial retrucou com ironia: e você trabalha onde, no circo?’. Fiquei chocado”.

É, parece que o santo do guarda não bateu com o do Aguiar. “Com a provocação do policial, senti uma vibração diferente. Minha entidade já estava ali, pronta pra baixar a qualquer momento. Respirei fundo e tentei remediar: ‘não, senhor, trabalho numa casa espiritual. E não estou querendo ensinar o seu trabalho, mas seu comportamento pode configurar preconceito religioso’. Disse e citei um trecho da Constituição Federal, que já trago na ponta da l
íngua para essas ocasiões: ‘A Constituição Federal consagra como direito fundamental a liberdade de religião, prescrevendo que o Brasil é um país laico. Com essa afirmação queremos dizer que, consoante a vigente Constituição Federal, o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a intolerância e o fanatismo”.

Pode ser que o policial tenha achado a decoreba constitucional do Aguiar além da conta, pois teve a idéia de perguntar: “Você, por acaso, bebeu?”. O médium corrigiu: “eu não, meu Exu bebeu”.

O policial sacou o rádio, pediu reforço, o bafômetro e completou:
“Art. 277. Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito, sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool será submetido a testes de alcoolemia, exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou científicos, em aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado”.

Os dois cruzaram olhares de guerra. Seguiu-se, então, a seguinte discussão:

Aguiar: “não há nenhum artigo na nova legislação que proíba entidade espiritual de beber”.
PM: “não há nenhum artigo que autorize entidade espiritual beber. Reze pra sua levar o álcool todo pro além, caso contrário você está encrencado”.

Quando o coronel da PM trouxe o bafômetro, Aguiar concordou em assoprá-lo. Deu lá coisa de 0,1 decigramas, um a menos que o permitido por Lei.

Inconformado, o policial chacoalhou o bafômetro, reclamou de um possível defeito e pediu que o suspeito assoprasse novamente. Já com cara esquisita, o médium deu uma baforada mais profunda que sujeito que pratica apnéia. “Os números do bafômetro foram crescendo, segundo a segundo, como num cronômetro. Já não era eu”, relata Aguiar.

Espantado e pressentindo estar diante do sobrenatural, o policial recorreu ao superior. “Não disse? Veja só, ele está bêbado!”

“Bêbado o quê?”, disse Aguiar, que já tinha deixado de ser Aguiar até na voz. O policial ficou arrepiado. “Quem bebe aqui sou eu, não meu ‘aparelho’. Deixa a gente ir embora, caso contrário o bicho vai pegar pro seu lado”.

O policial era teimoso. “Só faltava essa. Agora basta fingir que está incorporado para fugir da Lei. Já pensou se a moda pega? O que vai ter de Exu e Pomba-Gira saindo de balada não vai ser fácil”.

“Exu Tranca Rua”, saiu da boca do médium. “Seu coronel, seu funcionário é mesmo muito competente. Podia até ganhar uma promoção. Nas noites que o senhor está de plantão, ele faz uma retaguarda lá sua casa, juntinho de sua esposa”.

O policial queria dizer que era mentira do Exu, intriga, mas a palidez do rosto serviu como confissão. “Não é o que o senhor está pensando...”

“Pois é sim”, continuou a entidade. “Depois dizem que eu é que tenho chifre. Se o senhor pudesse ver o tamanho do seu”.

Quando o Aguiar voltou totalmente a si, encontrou um festival de socos e palavrões. “Eu, que não tinha nada a ver com aquilo, fui embora. Mas, enquanto a legislação não prevê exceção para as entidades, reproduzo a recomendação dos mentores espirituais: se incorporar e beber não dirija”.


***

Este texto foi encontrado no blog do Vinícius Cavalcante, candomblecista da nação Angola. O texto não é dele, como está creditado logo no início, mas foi um grande presente do seu blog para o Povo do Axé.

A mensagem divertida alerta para um problema sério que é a mistura de álcool e direção. Estamos sempre expostos, em qualquer lugar onde estivermos, a diversos fatores que podem ser prejudiciais à nossa saúde e à nossa integridade. No trabalho, em casa ou no templo, o cuidado com a saúde e a legislação é fundamental para que a religião desempenhe seu papel de proporcionar crescimento aos membros.

O fumo é liberado em recintos religiosos fechados, desde que faça parte da liturgia daquele culto. Corretíssimo. Da mesma forma, os malefícios da fumaça continuam agindo livremente. Isso também acontece com o álcool, droga lícita e tolerada socialmente dentro de parâmetros que garantam o bem-estar social.

Ao nos expormos a determinadas substâncias, devemos ter em mente que é uma opção nossa, que não fere à legislação dentro daquele contexto. No entanto, ao ser transposto para outro contexto (que pode o do trânsito, minutos depois) a presença daquele elemento não é mais tolerada. Não é mais um ambiente religioso umbandista ou juremeiro, apesar de que, na direção, fazendo um trocadilho bastante baixo astral, vida e morte também caminham lado a lado. E que dela, da Dona Morte, não nos façamos instrumento.