domingo, 19 de outubro de 2008

"Acima de Deus, nada. Abaixo de Deus, as águas"

No início Olorun vivia solitário no caos. Ao redor dele, estavam os Orixás. Olorun resolveu criar o universo. Tirou do bolso uma cabaça, jogou para o alto e gritou AIYE! A cabaça se dividiu em duas partes: o céu, Orun (Obatalá) e a terra, o Aiye (Odudua).

Obatalá e Odudua se casaram, unindo as duas metades da cabaça. Dessa união surgiu Iemanjá, e as águas cobriram todo o planeta.

Olorun, então, entregou a Odudua um saco com um pó preto, que criaria a terra firme, para que os outros Orixás pudessem vir ao mundo. Odudua ao jogar o pó, transformou-se em uma galinha d´angola e, ciscando, o espalhou criando os continentes. Surgiu Aganju, a terra firme.

Obatalá fez brotar então um grande dendezeiro, por onde todos os Orixás puderam vir a terra. E cada um recebeu o domínio sobre um aspecto da natureza criada por Olorun.

A frase que dá título à postagem é atribuída a Mãe Menininha, famosa líder do terreiro do Gantois, a ialorixá mais famosa que o Brasil já teve. Para os iorubás, povo que deu origem aos cultos keto, nagô, efon, ijexá, entre outros, assim foi criado o mundo. O mito se assemelha bastante às teorias de outras religiões sobre a criação e os elementos presentes nele servem de base para compreendermos vários símbolos presentes nos cultos candomblecistas.

Para iniciar o blog, não havia forma melhor, que "começar pelo começo". Então, este é o início de tudo.

Motumbá

Um comentário:

Luiz L. Marins disse...

Por favor, gostaria de saber a fonte deste "mito da criação". Obrigado.