quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Festival Osun Osogbo - Em homenagem ao Rio Deusa

O texto a seguir é tradução de uma matéria produzida por Kunle Ogunfuyi para o jornal nigeriano This Day Online, como enviado especial de Lagos a Osgbo para cobrir o Festival. Retiramos altuns trechos do texto para vocês, para conhecermos um pouco da origem da deusa dos rios e das cachoeiras, Oxum, tão cultuada em nosso país.



"Muitos séculos atrás, os caçadores de uma aldeia vizinha Ipole Omu, chamado Larooye, Olutimehin e os seus companheiros, migraram em busca de água. Eles resolveram se fixar as proximidades do rio Osun, onde atualmente fica Osogbo. L
arooye, como um dos primeiros a se instalar na região, se tornou o primeiro Ataoja (rei) de Osogbo. Neste período, ainda não existia o culto à divindade do rio Osun.

Quando começaram as preparações da terra para a época de plantio, uma árvore caiu no rio e uma misteriosa voz vinda da água foi ouvida: "Larooye, Olutimehin, gbobo Iroko Aro mi leti fo tan" (Larooye, Olutimehin, com a árvore vocês destruíram os vasos das minhas tinturas". Após ouvir a voz, o medo tomou conta deles. Como ela sabia os seus nomes? Consultando outros espíritos protetores da sua comunidade, o rei Larooye pacificou a deusa do rio dizendo "Oso-Igb
o pele o, Oro-Igbo rora" e a antiga cidade passou a ser chamada pela contração dessa expressão que apaziguou o espírito da deusa do rio Osun: Osogbo. Da mesma forma, o título empunhado pelo rei Larooye veio da função que a deusa delegou ao primeiro rei de Osogbo, nas oferendas do encerramento do festival. Ataojá é abreviação de Atewogbeja.

Ela ordenou que Obá Larooye, Olutimehin e seu povo se transferissem para a parte superios do rio chamada Ohuntoto, pois as coisas humanas não podem viver junto com as espirituais. Larooye e sua comunidade de mudaram, deixando apra trás o seu primeiro palácio, hoje, o Templo de Osun, no interior do bosque sagrado que beira o rio.

O tempo se passou e Olutimehin, em uma das suas caçadas, teve uma visão. Em uma clareira no bosque sagrado, dezesseis divin
dades luminosas dançavam com Osun. E Olutimehin conseguiu, através de encantamentos, capturar aquela luz que emitiam. Quando a deusa soube do que Olutimehin tinha feito, chamou-o junto com Larooye para conversar e lhes disse que aquilo nunca a havia preocupado. Mas avisou que as luzes devem ser celebradas ali, em Osogbo.

Foi o pacto entre a deusa e Oba Larooye que permaneceu os abençoando. Osun foi aplaudida por muitas conquistas importantes deste povo, fundamentais para a construção e prosperidade do Estado de Osogbo. Os poderes mágicos de Osun motivava a todos e assustava os inimigos. As tradições de Osogbo a aclamam como a deusa da fertilidade, da proteção e das bênçãos. Osun também possui a capacidade de dar filhos às mulheres estéreis e curar os doentes através das águas do seu rio. Por isso nasceu o festival anual Osun Osogbo , que também marca o aniversário de Osogbo e do dia de celebrar os Ataojás antepassados. Durante este período, os filhos e filhas de Osogbo vêm de longe, voltam para casa para promoverem séries de encontros e reuniões para o desenvolvimento da região."

"No palácio, fomos informados que o festival já está acontecendo há tempo. Começa com atividades como campeonato juvenil de futebol, o 2º Osun Festival, Campeonato de Golf, Dia dos Mascarados, Mostra Cultural de Filmes, Noite da Cultura Negra, Campeonato de luta, entre outros. Agora estão acontecendo campanhas de conscientização sobre o HIV, desfiles de moda e exibições de arte. Desde algumas semanas estão acontecendo sacrifícios para os antigos Ataojas, onde dezesseis lamparinas representam as dezesseis luzes apreendidas no bosque pelo co-fundador de Osogbo. Também têm sido feitos iboris para as cabeças dos líderes atuais e ebós para as falecidas esposas dos reis do passado.

O culto à deusa Osun prossegue até o climax, no Santuário, no final do festival. Inesperadamente uma sacerdotisa sai de dentro dentro da sua casa, em um pátio no interior do Palácio segurando uma faca. Sussurra algumas palavras, volta e se tranca novamente. Sua próxima aparição foi com a Arugba, uma menina virgem, transportando uma cabaça decorada e parcialmente coberta, cercada pelos sacerdotes e por uma grande multidão dentro e fora do palácio. O Ataoja também a segue acompanhado por seus parentes e por pessoas de longe que estão hospedadas no santuário.

A multidão caminha lentamente dançando ao som de músicas típicas, sob coloridos toldos da festa. É uma oportunidade para os comerciantes fazerem algum dinheiro, vendendo akara elepo (bolinhos fritos de feijão) estamparias em tecido, souvenirs, produtos das culturas agrícolas, em brincadeiras nas ruas e com os bata, dundun, aro (tambores) e sekeres (recipientes plásticos que são vendidos em grande quantidade, utilizados para coletar água do rio Osun.

Acredita-se que a Deusa Osun agora esteja reinando em todo o mundo e é por isso que a UNESCO listou o Bosque sagrado de Osun como Patrimônio da Humanidade.

O grand finale do festival é o momento das oferendas e sacrifícios, em forma de dinheiro, presentes, obis (nozes de cola) e aves como votos à deusa por seus adoradores à margem do rio. Entretanto, diversos outros grupos e profissionais como famílias reais, governantes, o Parlamento do Povo de Oodua e grupos culturais como o Centro Nike de Arte & Cultura, além de todos os patrocinadores, pagam suas homenagens ao Ataoja."

5 comentários:

denilde disse...

nossa que lindo saber tudo isso graças a oxum ainda tem pessoas com amor no coraçao. ainda posso ter esperança que essa religiao nao acabe por falta de conhecimento aqui no brasil o egoismo permanese de uma forma intolerante.fico muito felz em poder compartilha de tamnha emoçao.denilde de oxum

denilde disse...

parabens para todos estou muito emocionada pela chance que voces me deram de pode acreditar que nen tudo esta perdido sou feita de oxum mais estou afastada amais de 13 ans.mais nunca neguei minha raiz sempre quando passo pelo rio guandu eu saudo oxum com todo amor e carinho me sinto renovada adorei o festival osun osogbo que coisa maravilhosa muito obrigada denilde de oxum.

denilde de souza disse...

acada dia que se passa fico mais interessada en conhecer o mundo faicinante de oxum muito obrigada por tamanha felicidade.denilde de soza silva omin yalôde

1º Templo Afro-Cristão do Brasil disse...

Okolofé Iyá Stella,
É um orgulho ve-la representando o povo de orixá em uma instituição tão tradicional que, neste momento, através da senhora empodera a nossa religião no cenário "intelectual". Olorun te cubra de bençãos!!!
Sinceramente, Iyá Claudia d'Oxum Yponda - Igarassu/Pernambuco

1º Templo Afro-Cristão do Brasil disse...

Corrigindo o comentário acima, não se trata do 1º Templo Afro-Cristão mas, sim do Ilè Àsé Òsun Ypondá Atáweja - Nação Nagô Egbá - Recife/Igarassu/Pernambuco/Brasil.