quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Òrişà ou Orixá?



Somos parte de uma religião de tradição oral. Todo o conhecimento sobre o Candomblé foi guardado através apenas da palavra pensada e falada. Do idioma do povo jeje-nagô, criador no Brasil do Candomblé, tem-se os primeiros registros escritos no século XIX. Assim, o conhecimento candomblecista é transmitido tradicionalmente de forma oral.

Mas e agora, quando chegaram os livros, as apostilas e a comunicação por meio virtual, onde o maior fluxo de informação é através da grafia, como proceder?

O idioma ioruba, apesar de muita gente pensar o contrário, é uma língua viva e falada por milhões de pessoas no mundo. É uma dos cinco idiomas nativos mais falados na África. Apesar de para os nativos do português, estarem acostumados a tantos acentos graves, agudos e diferenciais (que a reforma ortográfica prevista vai retirar boa parte, infelizmente para esse que vos fala), a distância nas características da grafia, da acentuação e pronúncia, dificultam o aprendizado.

Em 1938, um decreto do presidente Getúlio Vargas tornou “obrigatório o uso da ortografia resultante do acordo” ortográfico entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa no expediente das repartições públicas e nas publicações oficiais de todo o país, bem como em todos os estabelecimentos de ensino, mantidos pelos poderes públicos ou por ele fiscalizados. É o que vale ainda hoje, com as novidades introduzidas pelo acordo de 1943, quando passaram a vigorar as Instruções para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Continuará valendo com as novidades que começarão a valer no próximo ano.

O Vocabulário Ortográfico determina como devem ser escritas (e, em alguns casos, pronunciadas) as palavras da língua portuguesa no Brasil, tanto as que entraram com a bagagem dos colonizadores como as aqui forjadas e as importadas de outros idiomas. “Todos os vocábulos devem ser escritos e acentuados graficamente de acordo com a ortoépia usual brasileira e sempre seguidos da indicação da categoria gramatical a que pertencem.”

“Indispensável se torna que o vocábulo exótico, ao entrar no português, se expunja desde logo de todos os estigmas, que lhe assinalam a ascendência, isto é, da marca exótica, do cunho alienígena, e sofra a naturalização, transplantação ou aclimação, vestindo-se dos característicos idiomáticos, adaptando-se à mesma forma daqueles com que vem concorrer, assumindo na república de palavras, que é o vocabulário ou léxico, a cor ambiente, a feição mesológica, o tipo ou a fácies consentânea com a fisionomia da língua do país.” Napoleão de Almeida, na Gramática Metódica da Língua Portuguesa.

Se instituições como ABL, permanecem distantes da realidade da maioria da população, são lançados por outras empresas, seus manuais de redação, como faz o grupo Folha, construindo o português coloquial para a comunicação com as “massas” através de jornais, revistas, Internet, rádio, etc.

Palavras estrangeiras
- Não use se houver equivalente em português. A Folha considera sua função criar esses equivalentes sempre que possível, ou aportuguesar a grafia de palavras de outras línguas.
Novo Manual de Redação da Folha de São Paulo

Marginalizado e taxado de religião de pessoas ignorantes, o Candomblé busca cada vez mais se colocar no lugar que lhe é direito dentro da sociedade. Com isso, muitos membros buscam uma africanização, em um movimento que lembra o Armorial, onde se garimpa uma erudição que a faria mais respeitada em níveis acadêmicos e em outras rodas sociais onde a cultura candomblecista era tradicionalmente barrada. No movimento Armorial, o foco é no brasileiro, em especial, no sertanejo nordestino, este com suas raízes plantadas na Europa, mas não um europeu. No movimento negro, o foco se perde, rejeitando a brasilidade em nome de uma africanidade costurada em retalhos.

O blog Povo do Axé opta pela grafia aportuguesada dos termos, exceto para nomes próprios, que não são possíveis de aportuguesar.

3 comentários:

Silvinho disse...

Acho válido o aportuguesamento, mas creio que optar pelo vocáculo original se resgata toda uma cultura que ja foi marginalizada a séculos pelos colonizadores europeus. Nem Yorubá enm Português, mas a liberdade de escolha.

Asé. Adorei esse blog.
Silvinho de Logunedé

Anônimo disse...

Não acho válido não seguir a tradiãção da lingua yorubaioninob

Anônimo disse...

Prezados companheiros, "Ki Olórun Bùkún Fún Àwa"
Irmãos, pra todos aqueles que têm familiarização com a língua iorubá (ÈDÈ YORÙBÁ), sabe da importância dos usos de seus sinais,quanto ao tom (`)(-)(´)que correspondem respectivamente as notas "DÓ", "RÉ" e "MI" da escala musical - sem contestabilidade a língua iorubá é uma língua tonal.Na língua iorubá as vogais comuns são 07 porque fazem parte do seu alfabeto ou "Àbídí" o "E" e o "O" com um sinal sob, que indica que ditos
fonemas têm pronúncias abertas. Uma grande particularidade da língua iorubá é a riqueza de alomorfes - as grafias de muitas palavras são as mesmas, mas pelo seu acento tonal pode funcionar como um verbo, preposição, adjetivo ou mesmo pertencendo a uma dessas mesmas clases, eu ainda ratifico que pela indicação do acento tonal suas ações são completamente adversas umas das outras.Os sinais (´)(`) (-)(~) são iguais , mas sas funções em ambas as línguas são sem comparabilidade. - Língua portuguesa é uma coisa e èdé yorùbá outra absolutamente distinta
Títí di Bóro - "Até Breve"
Ogodoakinjade@hotmail.com
Luiz Ogodó