quinta-feira, 13 de novembro de 2008

É mais fácil enxergar de longe

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Easy to be hard

Como algumas pessoas podem ser tão sem coração?
Como algumas pessoas podem ser tão cruéis?
É fácil ser duro, é fácil ser frio.


Como as pessoas podem não ter sentimentos?
Como as pessoas podem ignorar seus amigos?
É fácil ser orgulhoso, é fácil dizer não.

E especialmente as pessoas que se preocupam com os estranhos

Que se preocupam com o mal e com as injustiças sociais
.

Você só se preocupa com o sofrimento das multidões,
E as necessidades de um amigo?
Preciso de um amigo.


Mais uma cena inspiradora do filme Hair. Neste momento, Laffayete (Dorsey Wright) é encontrado pela noiva, a qual deixou juntamente com o filho, para seguir os ideais hippies com seu grupo e se chamar Hud. É impossível não ser tocado pela mensagem interpretada por Cheryl Barnes. No nosso dia-a-dia, nos encontramos em situações onde nos pegando olhando para bem longe e esquecendo do nosso redor.

A maioria dos adeptos do Candomblé enfrentou ou enfrenta dificuldades para ter sua liberdade religiosa aceita e compreendida. No entanto, aquela sabedoria popular que diz "quem apanha, lembra; quem bate, esquece" é bem verdadeira quando é mais difícil sentir o que incomoda os outros.

A adaptação ao sistema litúrgico do Candomblé não é fácil. Quantas vezes é preciso virar noites e noites trabalhando, abrindo mão de outros momentos que também são importantes para nós e para os que estão ao nosso redor? A resignação de uma mulher em cumprir seus 21 dias de reclusão, mais 97 de resguardos variados e pesados, não é maior que a do seu companheiro, dos seus filhos ou dos seus familiares. As alegrias também serão compartilhadas, obviamente. Mas ninguém passará sem abnegação.

O investimento financeiro para a manutenção das atividades do terreiro poderiam ou deveriam ser, naquele momento, investidos em outro fim?

E aqui, mundo virtual, onde interagimos e trocamos idéias e conhecimentos com anônimos enquanto dentro do barracão mal trocamos pedidos de bênçãos por mera formalidade e não paramos para falar sobre educação religiosa.

Reflitamos não sobre a importância de se ter uma religião, mas em uma relação que muitas vezes é mal compreendida: entramos em uma religião ou a religião entrou em nós. Estamos no mundo, guardando em nós a nossa fé. Entramos para um grupo social que comunga de idéias semelhantes, mas que têm suas vidas pessoais. E, com todo o respeito, penso que o espaço sagrado é todo aquele onde colocamos os pés e transmissão de axé deve ser a cada passo.

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