domingo, 14 de dezembro de 2008

"Filho afunda a mulher", diz psicanalista

Que dezembro é um mês que nos lembra família, fraternidade, já sabemos. É o período do nascimento de Jesus, com toda a beleza do conto bíblico de Maria e José na manjedoura. Além desta data, temos tradicionalmente para o Candomblé o importante 8 de dezembro. Nossos antepassados utilizaram as festividades para Nossa Senhora da Conceição para realizar também suas reverências às deusas-mães Oxum (na maior parte do Brasil) e Iemanjá (em Pernambuco).


E ainda no embalo desse clima de maternidade, encontrei este texto publicado originalmente no Terra, mas transcrito do site do Fórum de Promotoras Legais Populares do Distrito Federal, "um espaço de articulação e troca de experiência na defesa dos direitos das mulheres nas comunidades do Distrito Federal". http://www.forumplp.org.br/


"Filho afunda a mulher", diz psicanalista
Sex, 24 de Outubro de 2008


Você nem ao menos disse o tão esperado "sim" no altar ou diante de uma proposta informal para juntarem os "trapinhos" e a família já começa a perguntar sobre os filhos. A insistência desagrada a muitos casais e pode criar até uma "saia-justa" (afinal, e se a gravidez só não ocorreu ainda por problemas de infertilidade?). Pior do que essa pressão, porém, é a reação de boa parte da sociedade quando uma mulher decide que, simplesmente, não quer ser mãe.
Prova disso foram as respostas de amor e ódio ao lançamento do livro Sem Filhos - Quarenta razões para não ter no Brasil. (Saiba mais no link acima). Nele, Corinne Maier, psicanalista e economista, lista vários motivos polêmicos para não ter crianças em casa. Para Corine, filhos "custam caro, poluem e, sobretudo, afundam a existência das pessoas".
A autora de 43 anos que abomina a maternidade é mãe de dois adolescentes e não tem qualquer pudor de culpar uma criança por roubar os momentos de lazer dos pais, dominar a vida do casal, afastar os amigos adultos de casa e, claro, quebrar todo o clima na hora do sexo.
Opinião semelhante é compartilhada por Alice Freitas. Casada há dois anos, a publicitária de 35 anos diz que jamais renunciaria aos seus prazeres para cuidar de um filho. "Se tivesse que desmarcar uma viagem ou mudar meus planos por causa de uma criança, faria tudo com má vontade. Então, para não culpar alguém pela minha infelicidade, prefiro continuar com a independência que tenho", esclarece.
Para Aline, outro ponto que a fez desistir do projeto de ser mãe é a questão financeira. "A minha renda familiar não permite. Teríamos que fazer muitos sacrifícios para sustentar uma criança. Por isso, mesmo que houvesse uma lei obrigando um casal a ter filhos, provavelmente eu e meu marido seríamos 'foras-da-lei'", afirma.
Por outro lado, há histórias menos radicais. Em comunidades na Internet, que defendem a idéia de não ter filhos, por exemplo, foi possível encontrar quem mudou de posição. Bia*, de 33 anos, atualmente espera o nascimento de uma menina para dezembro. "Nem lembrava que ainda estava nessa comunidade", disse a empresária, que prefere preservar sua identidade.
Casada há cinco anos, Bia conta que ter filhos não estava nos planos do casal até o ano passado. "Optamos por viajar, estudar e crescer na profissão. Mas, depois de um certo tempo, percebemos que faltava algo e começamos a avaliar tudo o que antes achávamos um obstáculo para engravidar. Se fôssemos pensar só nos gastos, jamais seria mãe. A nossa decisão foi muito mais emocional que financeira. E acho que está valendo a pena", garantiu a futura mamãe.
Razões dos especialistas para negar a maternidadeDificuldades financeiras e não ter ao lado um homem que considere o ideal para ser pai estão entre os principais motivos para adiar a gravidez, pelo menos por um tempo. Nesses casos, a psicoterapeuta Sueli Molitérno, especialista em terapia de regressão de memória, propõe uma avaliação do inconsciente. "Quase sempre há um medo por trás, baseado no seu histórico de vida. O "não a gravidez" pode ser dado por medo da deformação física, medo de não ser uma boa mãe, medo de ser abandonada pelo companheiro, medo de que o filho passe por um sofrimento que ela já passou", explica.
Portanto, para Sueli, antes de tomar a decisão de não ter filhos é preciso se "conhecer melhor". "Se houve um trauma, um bloqueio, o desejo de ser mãe pode despertar de um dia para o outro. O problema é que, às vezes, poderá ser tarde demais para engravidar", conclui Suely.
Feridas emocionais à parte, para a psicóloga Sueli Castillo, a decisão de não ter filhos deve-se à liberdade de escolha conquistada pelo sexo feminino. "Os métodos contraceptivos deram à mulher a oportunidade de escolher quando e se realmente quer ser mãe. Ela se libertou da "culpa" de se sentir diferente e, assim, assumiu mais a sua autenticidade", acredita.
Infelizmente, as especialistas admitem que há um preço a se pagar quando a escolha (seja em relação à maternidade ou qualquer outro assunto)foge aos padrões considerados normais.
A decisão de passar a vida inteira sem experimentar a sensação de ficar grávida gera preconceito e discussões acaloradas, como tudo que altera a ordem social estabelecida. De quebra, muitas vezes envolve até pensamentos machistas. "Uma mulher sem filhos está associada ao perigo. Já uma mulher "sozinha" que não deseja ser mãe é vista também como fria", explica Sueli Castillo.
Segundo a psicóloga, porém, as decisões não podem nunca ser baseadas nesses julgamentos. "Se todos resolvessem seguir os padrões impostos, a família seria indissolúvel, sem separações ou divórcios, não haveria união sem "casamento oficial", muito menos casamentos entre pessoas do mesmo sexo", lembra.
A enfermeira Fernanda da Silva, de 40 anos, concorda. Essas atitudes e olhares de reprovação - muitas vezes sutis - nunca a assustaram. Recém-separada, após um casamento de 17 anos, ela conta que nunca pensou em ter um filho, mesmo contrariando os desejos dos parentes, principalmente dos pais e sogros.
"Minha rotina é muito complicada, e meu marido sempre me apoiou nessa decisão. Aproveitamos muito a vida a dois. Hoje, estou solteira novamente e vejo de forma ainda mais clara que uma criança só teria atrapalhado meu crescimento pessoal. Não teria, por exemplo, a liberdade para sair com os amigos e voltar para casa na hora em que achar melhor ou então, se for o caso, nem voltar", comenta bem-humorada.
Quando perguntada se falta algo em sua vida, Fernanda é categórica: "talvez um outro homem, mas filho jamais".

* nome fictício dado a pedido da entrevistada.


Serviço:
Sueli Castillo - psicóloga suelicastillo@terra.com.br
Suely Molitérno - psicoterapeuta transpessoal www.suelymoliterno.com.br



Sem Filhos - Quarenta razões para não ter
Autora: Corinne Maier
Editora Intrínseca
Redação Terra

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O terreiro e a comunidade

Sempre entendemos os terreiros de Candomblé como centros sociais dentro das comunidades, apesar de raramente desempenharem esses papéis. Os terreiros são referência para as pessoas, locais de convívio e formação de opinião. No entanto essa liderança só é lembrada até hoje em período eleitoral. Isso tem criado uma relação terrível entre os dirigentes dos terreiros e os políticos que só vem prejudicando e reduzindo a força que o segmento tem a mero mercado de votos, comprado ao preço de alguns sacos de cimento, um aluguel de ônibus para entrega de presentes na praia ou no rio ou até por ditos "alvará de funcionamento" sem nenhum valor jurídico, dado por confederações de terreiros inexistentes, mas que são entendidos como o maior (e talvez o único) reconhecimento "oficial" da existência do seu templo religioso.

Há alguns anos, especialmente durante as últimas gestões municipais, temos visto isto mudar de figura no Recife e em Olinda. O tombamento em 20
07 da Casa Xambá e o decreto da sua existência como quilombo urbano, respaldam as reivindicações da comunidade. No entanto, as medidas anunciadas nos jornais da época que beneficiariam 3 mil pessoas, com área construída de 120 metros quadrados dedicados à atendimento da população com creche, núcleo de saúde, auditório, biblioteca, laboratório de informática, e áreas para oficinas com fabricação de velas, instrumentos musicais, aulas de capoeira e música, ainda se arrasta.

Anterior é o tombamento do Sítio de Pai Adão, um dos mais tradicionais de Pernambuco, é de 1996, pelo Patrimônio Histórico do Estado, mas recebeu atenção especial nos últimos meses. Em Junho deste ano, foi requalificado, recebendo investimentos de R$ 60 mil. Foram realizadas a recuperação do telhado, pintura e serviços de jardinagem, paisagismo, calçamento interno, sinalização dos espaços, além da restauração da Capela Centenária de Santa Inês. Regularmente o espaço abriga eventos culturais, como lançamentos de livros e grupos musicais, exposições, apresentações variadas. Também é sede do grupo de afoxé do terreiro.

A Caminhada do Povo de Terreiro do Recife é um esforço
no sentido de resgatar a união entre as casas e criar orgulho na identidade candomblecista. Atividades também são desenvolvidas pela prefeitura do Recife com palestras e orientações variadas sobre assuntos relacionados ao povo do santo, inclusive com a distribuição de cestas básicas para os centros cadastrados repassarem em suas comunidades ou direcionarem seu uso ao dia-a-dia religioso da casa.

O que esperamos é que ações positivas vão se acumulando, quebrando preconceitos e construindo aos poucos o orgulho de ser candomblecista. Que coloquem o Candomblé no lugar onde sempre esteve e nunca assumiu. Que esses projetos cresçam e dêem resultados, porque o nossa religião tem muito mais a oferecer à sociedade.

"Juventude de Terreiros" construindo o "Território de Paz"

O presidente Lula veio ao Recife inaugurar obras do Governo Federal e do estado e municípios em parceria com ele, além de lançar novos projetos. Um dos anúncios foi o Território de Paz, que promete transformar o bairro de Santo Amaro, Recife, conhecido como uma das áreas mais perigosas do Brasil "em uma das áreas mais seguras do país", como afirmou o ministro da justiça Tarso Genro durante o discurso hoje no anúncio das propostas, no Campo do Onze, dentro da comunidade.

O Território de Paz é um projeto do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com a implementação de 29 ações simultâneas para enfrentar a insegurança na região. Uma delas é de chamar nossa atenção, a Juventude de Terreiros.


"Coordenada pela Secretaria de Direitos Humanos e Segurança
Cidadã, por intermédio da Diretoria da Igualdade Racial, esta ação visa à elevação da autoestima, a descoberta de talentos e o reconhecimento do potencial humano da juventude negra oriunda de diversos terreiros do Recife. Através do programa, 90 jovens serão selecionados para participar de oficinas de confecção de vestuário, de objetos em cerâmica e de instrumentos musicais, promovendo a geração de oportunidades de emprego e melhoria na qualidade de vida das famílias destes jovens. Ao final da capacitação, será realizada uma feira solidária com o resultado da produção das oficinas e um seminário de socialização, com a participação de todas as comunidades dos templos de matriz africana envolvidas no projeto;
Recursos liberados: R$205.555,00"
Fonte: Assessocia de Comunicação da Prefeitura do Recife.