quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espírito Natalino

Por Iya Ngangalecy

É tempo de Natal! Não tem como não falar no Natal, sendo Natal!
Mas, me perguntariam: O que uma candomblecista tem a ver com essa data? Incoerência! diriam outros. Antiquada, afinal sincretismo está em decadência. Mas, é Natal. Candomblecista, evangélicos, budistas, judeus, ateus, todos frequentam shoppings, assistem TV, leem jornais, ouvem rádios, vivem o Natal. A cada esquina, em cada calçada deparamos com um PApai Noel, suado, cansado, com as bochechas avermelhadas pelo sol causticante dos trópicos, tentando encher seu próprio saquinho, e conseguindo encher o do consumidor, no afâ de amealhar aquele que provavelmente seja o seu priomeiro salário do ano. Pois bem, Bons Velhinhos, renas, luzes, muitas luzes, panetones e outras tantas iguarias e junto com tudo isso o "Espírito de Natal". Talvez esse seja o maior apelo comercial utilizado pelos mercadores. Mas, se pensarmos bem, esse "espírito natalino" existe sim. Senão, não seria "garoto propaganda", como coadjuvante do Sr. Barbudo.

É Natal. Ah! é Natal, sim. Percebemos que é Natal! E o que eu tenho a ver com isso?
É tão difícil dissertar sobre o Natal, quando o espírito Natalino ainda não incorporou, ainda não deu passagem. Estranha essa sensação. Confusa até. Tento viver o Natal, com a intensidade que ele nos pede. Tento pintar casa, faxinar, enfeitar, fazer listas, reunir amigos ocultos, natalinizar meus sentimentos, mas me falta algo. Falta-me o espírito natalino.

Repenso, vou aos búzios, investigo. O que há de errado?

Concluo: Oxalá, meu Pai, não usa vermelho, e Ele está em mim os 365 dias do ano! Feliz Natal a todos nós, e que o espírito natalino esteja em nossas vidas todos os dias.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Marcha mundial pela paz para centro histórico de Olinda




Grupo Chinelo de Iaiá que se apresenta hoje na Praça do Arsenal no Recife Antigo nas atividades da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência


Postado às 17:10 em 16 de dezembro de 2009 no Blog de Jamildo/JC Online

A Marcha Mundial pela Paz e Não Violência parou o Centro Histórico de Olinda na manhã desta quarta-feira (16/12). Cerca de mil pessoas, entre elas 400 crianças da rede municipal de ensino, idosos, agentes comunitários de saúde e integrantes do Pro Jovem e entidades da sociedade civil organizada marcharam da Praça do Carmo em direção à Prefeitura embalados por orquestra de frevo, passistas e bonecos gigantes.

Muitos exibiam cartazes com fotos de pessoas desaparecidas e frases denunciando a violência contra mulheres e o abuso sexual de crianças.

Em frente à Prefeitura, os marchantes foram recebidos pelo Prefeito Renildo Calheiros, que formalizou seu apoio à Marcha após apresentação do coral e banda do Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo). Banners alusivos ao tema da Macha foram estendidos na fachada do centro administrativos e os sinos de todas as igrejas repicaram a um só tempo. O Coral Vozes do Silêncio, formado por 14 jovens com deficiência auditiva, também deu o seu recado.

"Esse movimento escreve uma página importante de sua história em Olinda. É um sinal de que a luta pela paz de todos os povos do mundo repercute em Pernambuco e essa marcha significa um passo impostante na construção de um mundo melhor", discursou o prefeito, lembrando que a cidade tem uma memória de luta e resistência e desempenhou um papel importante em movimentos como a Revolução Praieira de de 1848.

A porta-voz da Marcha em Pernambuco, Cristiane Prudenciano, afirmou que o movimento, que começou no dia 2 de outubro na Nova Zelândia e termina dia 2 de janeiro na Argentina, não encerra a luta pela paz. "Pelo contrário. Queremos levar uma comitiva pernambucana para Punta de Vacas para que juntos possamos discutir e definir ações para os próximos anos", disse. Mais de 20 mil ativistas de todo o mundo são esperados na finalização da Marcha, em Punta de Vacas, aos pés da Cordilheira dos Andes.

Uma equipe internacional da Marcha, composta por ativistas da Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Índia e Itália, está em Pernambuco desde ontem (15) para dar início ao percurso em terras brasileiras. O estado foi escolhido para dar esse pontapé por causa de seus altos índices de violência urbana.

Agora à tarde, desde às 15h, a Marcha volta a se concentrar, desta vez na Praça da República, onde os manifestantes aguardam ser recebidos pelo governador Eduardo Campos. De lá seguem pela Ponte Buarque de Macedo, Avenida Rio Branco e Rua do Bom Jesus, finalizando na Praça do Arsenal da Marinha, no Recife Antigo. No local haverá um ato público e shows dentro da programação do Ciclo Natalino recifense. Irão se apresentar Chinelo de Iaiá, Grupo Tokada, Coco de Umbigada do Guadalupe, DJ Zero, Tiger e Nação Corrompida. Os discursos serão traduzidos na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Haverá, ainda, a ação de grafiteiros e frevioca.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Inauguração do Memorial Mãe Betinha fomenta novos passos

No último dia 29 foi aberto ao público o Memorial Mãe Betinha, uma iniciativa do Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil que homenageia a falecida ialorixá Elizabeth de França Ferreira no dia que marca seu centenário. O evento que reuniu diversas gerações e nações do Candomblé pernambucano tornou-se muito mais que uma homenagem ao passado, mas uma porta para a articulação de grandes idéias.
A tarde de domingo reuniu pessoas ansiosas por pisar novamente o espaço que lhes abrigou por décadas. Aos poucos, filhos de santo de Mãe Betinha chegavam reconhecendo o ambiente, observando, analisando. Os familiares trouxeram com eles velhos amigos, vizinhos e admiradores desta ilustre senhora. Também tocados com o projeto, estiveram presentes representantes de diversos terreiros e nações do Candomblé de Pernambuco.
A mesa de apresentação foi presidida pelo babalorixá Marcelo Uchôa, sacerdote do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô e coordenador geral do Polo Afro. Também compuseram Lindacy Assis, do Coletivo das Entidades Negras de Pernambuco, CEN/PE, que falou sobre a importância da abertura de espaços que guardam os saberes afrodescendentes, de forma responsável e estruturada para uma formação cultural e educacional sólida da sociedade. Lia Menezes, pesquisadora, escritora do livro As Yalorixás do Recife e diretora do premiado vídeo de mesmo nome, expôs sua obra que encantou o público presente. Investigando e tratando da importância das mulheres para a religiosidade de matriz africana em Pernambuco, As Yalorixás do Recife contém importantes registros de Mãe Betinha em entrevistas e imagens. Cristiane Prudenciano, da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violencia em Pernambuco demonstrou a importância da união dos esforços de todos para uma sociedade mais justa e fraterna. Jorge Barreto, presidente do Centro Espírita Caminho do Bem fundado por Elizabeth de França e seu esposo, Sr.Antônio Castilho observou o valor da união, com a quebra de barreiras e implementação de ações complementa em prol da comunidade. Finalizando, Marta Ferreira, filha carnal de mãe Betinha nos trouxe tocantes testemunhos por seus olhos de filha, mas não adepta do Candomblé, sobre a grande mulher, mãe, avó, esposa, líder religiosa e comunitária que foi Elizabeth de França Ferreira, Mãe Beta de Iemanjá Sabá. Após esta etapa, o evento recebeu brilhantes apresentações do grupo de capoeira Projeto São Salomão e do Afoxé Omim Sabá.
Marta, abriu oficialmente o Memorial ao público. O espaço destinado à exposição é o quarto da mãe de santo quando em período de atividades no terreiro e também onde ela recebia seus filhos de santo e consulentes. Móveis, objetos pessoais e de decoração todos eram pertencentes a ela e foram doados pela família e por alguns filhos de santo, assim como dezenas de fotos de acervos pessoais e colhidas de pesquisas publicadas, reproduzem a aura de simplicidade, beleza e fé deste personagem. O encontro também trouxe sinais positivos para a articulação de outros projetos do Pólo Afro, como a Biblioteca Comunitária, alfabetização de adultos, reforço educacional infantil e oficinas de artes variadas.

Mãe Betinha - Para o Candomblé, Mãe Betinha representou a resistência da religião à intolerância no período do Estado Novo e a preservação de um formato de culto de origem iorubana, o xangô recifense ou nagô em sessenta e cinco anos de sacerdócio. Em sua atuação à frente da comunidade do Ilê Axé Yemanjá Sabá Abassamí, Mãe Betinha representou liderança, consciência e força na defesa dos direitos e da posição da mulher na sociedade. Seu exemplo ainda vai além da esfera religiosa, quando trouxe para um dos bairros mais populosos e carentes da Região Metropolitana do Recife, Casa Amarela, olhares nacionais e internacionais que transformaram o seu terreiro em uma reconhecida fonte do saber popular.

Memorial Mãe Betinha
Local: Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô (Rua Jose Rebouças, nº 160, Vasco da Gama)

2º Orkontro do povo do Candomblé de PE

No próximo sábado, 12/12, a partir das 14h, os candomblecistas de Pernambuco farão sua confraternização de fim de ano. É a segunda edição do encontro que tem como base a maior comunidade de debates sobre o Candomblé do Orkut. O mobilizador é o babalorixá Jorge Viegas, que estende o convite também a outras pessoas de outras comundidades virtuais.

"Levaremos um fio de conta do nosso òrìsà ou algum objeto que o represente. Para evitar que alguém fique de fora, sem presente e tendo levado algum presente para alguém, lá, na hora, colocaremos os nomes no papel e faremos o sorteio", avisa Jorge.

A confraternização será no Marola Bar, na orla de Olinda, a partir das 14h. O lugar é fácil de achar, logo após o Clube Atlântico, a avenida segue pela beira-mar, no trecho do Forte, Gibi Lanches e Manicômico. O Marola é o primeiro bar da orla. Na comunidade, temos um tópico especificamente com detalhes do Orkontro de Pernambuco e contatos da organização.

Até lá!

Pernambuco avança nas discussões sobre religiosidade

O CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras de Pernambuco, a Casa Xambá, o Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô, o POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil, o Ilê Oxum Gafunê, a Tenda Espírita Jesus, Maria e José, o Ilê Alá Obiketu Axé, o Ilê Omoisu Oguian, a Nação Maracatu Leão de Judá, a Assessoria de Direitos Humanos do Gabinete do Deputado Paulo Rubens Santiago, o Centro Espirita Templo dos Deuses e o Templo Espirita Caboclo Rio Negro, dão o ponta pé inicial na construção do Fórum Pernambucano da Religiosidade de Matriz Africana, tendo a honra de lhe convidar para participar da I Reunião do Comitê Pró-Forum.

Por entender a urgência do assunto, o CEN/PE tem feito diversas articulações com as representações religiosas do Estado e interior para que este espaço democrático não fique apenas no papel.

Fora a Sociedade Civil, diversos representantes estão sendo convidados para a I Reunião do Comitê Pró Fórum, tais como a Assessoria de Direitos Humanos, OAB/PE, CEPPIR/PE, UFRPE, UFPE, entre outras representações.

Segundo a Coordenadora Estadual do CEN/PE, Lindacy Assis, "O fórum é um espaço público, não governamental e apartidário. Não existe e nem existirá um dono que conduzirá o processo. Toda a Sociedade é chamada a discutir, organizar e encaminhar as propostas e para que se conheçam a fundo as demandas da População de Religiosidade de Matriz Africana. Todos os representantes de terreiros estão convidados a fazer parte do Comitê Pró Fórum, não existem cadeiras exclusivas".

O encontro será realizado no próximo dia 21 de dezembro as 18h30 na sede do SINTEPE, Rua General Semeão 51, Boa Vista (próximo a Universidade Catolica de Pernambuco).

Veja quem forma o comitê Pró-Fórum Pernambucano:

Babalorixá Marcelo Uchoa
Babalorixá do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô
Coordenador do POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afrobrasil
Coordenador Estadual de Religiosidade do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras
Mediador do Curso de Cultura e Religiosidade Africana

Egbome Lourdinha de Oyá
Casa Xambá
Coordenadora Estadual de Saúde do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras

Luciana Marins
Omorixá do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô
Coordenadora Estratégica para a Promoção da Igualdade do POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afrobrasil

Lindacy Silva Assis
Bióloga Ambientalista
Coordenadora Estadual do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras
Membro da Articulação IST/AIDS

Gaipê Adilson Bezerra da Silva
Gaipê da Kwé Cejá Sobô Adan
Mestre em Desenvolvimento de Processos Ambientais
Membro do Conselho Religioso do INTECAB-PE

Pejigan Clodomir Ferreira da Silva (Koy D´Ogyian)
Pejigan da Kwé Cejá Sobô Adan
Coordenador do Conselho Religioso do INTECAB-PE

Nacional - O Fórum Pernambucano da Religiosidade de Matriz Africana é uma das necessidades do Fórum Nacional da Religiosidade de Matriz Africana, criado na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (I CONAPIR), em cerimônia no Palácio do Planalto, Brasília/DF, sob coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Ele surge pela necessidade de se discutir políticas públicas para as Religiões de Matrizes Africanas. O Fórum Nacional foi aprovado pelo Ministro Edson Santos, da Igualdade Racial e Fóruns estaduais estão sendo criados para levar à esfera nacional os pleitos as Unidades Federativas.

O Fórum é um espaço não-governamental, sem coligação político-partidária, onde nenhuma entidade governamental ou da sociedade civil o tomará como próprio, sendo aberto a todos e todas para discussão, deliberação, reflexão, articulação, mobilização e aproximação de pessoas, voltado para assuntos de interesse da religiosidade de matriz africana. Será organizado por representantes de comunidades religiosas afro descendentes. Terão como pilares fundamentais orespeito, a ética e o segredo, na construção de um mundo mais solidário, democrático e justo.

São objetivos constantes deste Fórum o permanente e constante combate à intolerância religiosa, bem como toda e qualquer forma de preconceito e discriminação contra as comunidades terreiro; a construção e implementação de políticas públicas, religiosas, sociais, ambientais e culturais, voltadas para as comunidades de religiosidade de matriz africana; o mapeamento dessas comunidades no país; a instituição de um Conselho Sacerdotal, com anciões das religiões de matrizes africanas, para funcionar e deliberar como um conselho de ética e ouvidoria; e a desconstrução do olhar negativo da sociedade sobre as religiões de matriz africana, aumentando o conhecimento acerca da diversidade e a sensibilização para o respeito às diferenças e à legislação, entre outros.

O Fórum Estadual que está se iniciando é a forma de centralizar nossas necessidades, nossos desejos para a religião. Ele é o nosso porta-voz e por isso a opinião e participação de cada um de vocês é tão importante.


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Grupo 10.639: História e cultura afro nas escolas

Como é do conhecimento de alguns, a Lei 10.639 de 09 de janeiro de 2003 obriga o ensino da Cultura e História Afro Brasileira nas instituições de ensino em todos os níveis. Os obstáculos são muitos e em vários níveis: de professores, alunos, familiares e das próprias instituições de ensino, arraigadas pelo racismo institucional que não permitem que os avanços ocorram.

Desta forma, foi criado o Grupo 10.639, que visa reunir a sociedade como um todo, de diversos credos, grupos e etnias para que estas experiências sejam trocadas, fortalecendo o processo.

O Grupo 10.639 conta com sua presença por lá. Um grupo de email funciona como um espaço de trocas, onde a mensagem enviada por um membro do grupo, chega a todas as pessoas cadastradas, bem como as suas discussões posteriores. Esperamos que este espaço seja valorizado e contribua, mesmo que de forma pequenina, pela consolidação deste sonho.

O endereço do grupo é http://br.groups.yahoo.com/group/10639/



Esta mensagem nos foi repassada pela coordenação do Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil. Abaixo, transcrevo para vocês, a lei 10.639/03 para que todos conheçam o texto original e a partir dai participem dos debates para a fortalecer o processo de implementação da Lei. Essa Lei já tem cinco anos de assinada e até agora não se vê a prática. Retirado do site do Palácio do Planalto:

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.

Mensagem de veto Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

§ 3o (VETADO)"

"Art. 79-A. (VETADO)"

"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mais detalhes sobre a 1ª Caminhada Nacional em Salvador


Pessoal, é muito importante que Pernambuco demonstre união e força neste evento. Isso fortalece o CEN Pernambuco, uma entidade que tem sido fundamental para a realização de muitos projetos para as iniciativas das entidades negras do Estado.


Vejam como salvador está se preparando de uma forma bonita pra receber os participantes. Todas as árvores da cidade estão recebendo ojás, como fazemos com as nossas árvores sagradas do terreiro. Nas principais avenidas, nos parques, nas casas, é coqueiro, jambeiro, castanholas, tudo de ojá. Que demonstração linda de que a nossa fé está em toda parte! Vamos corresponder formando um grande grupo? A oportunidade é ímpar e por esse preço, incluindo ida e volta, alimentação e alojamento, não chegamos na esquina.

Abaixo segue o texto da divulgação oficial da caravana pernambucana do CEN/PE:


O CEN/PE - O Coletivo de Entidades Negras de Pernambuco é uma organização não governamental, presente em 16 estados brasileiros, com sede em Salvador-BA, sem fins lucrativos e sem vínculos político-partidários, constituída de associados unidos pelos objetivos comuns de cooperação mútua, parceria, diálogo local e solidariedade entre os diferentes segmentos sociais.

No dia 22 de novembro, ocorrerá um grande evento para o nosso povo de santo: a 5a CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA e 1a CAMINHADA NACIONAL PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA que é um evento organizado por diversas entidades de todo o país, para onde caravanas de vários estados estão seguindo. Pernambuco estará representada através do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras - e todos os que têm os mesmos ideais podem participar. Além da caminhada, muitas outras atividades estão programadas como roteiro cultural em Salvador.

Saída: 20/11/09, às 07h
Retorno: 23/11/09, às 07h

Programação:
20/11 - Programação cultural livre ( noite )
21/11 - Seminário ( 08h às 17h )
Programação cultural ( noite )
22/11 - Caminhada, concentração no busto de Mâe Runhó, na Casa Branca do Engenho Velho
Apresentações culturais de grupos regionais
Programação cultural ( noite )

Custo:
R$ 120,00 até o dia 15/11
R$ 150,00 após esta data

Ida, volta, hospedagem nos terreiros e alimentação conforme critérios estabelecidos pela comissão

*** VAGAS LIMITADAS ***


Contatos:
Babá Marcelo Uchoa - (81) 9728 4750 marcelo.uchoa@ketu.com.br
Luciana Marins - (81) 9604 7258 luciana.marins@ketu.com.br
Lindacy Assis - (81)9299 8221 lindacysilvaassis@yahoo.com.br

domingo, 8 de novembro de 2009

A 5a CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA e 1a CAMINHADA NACIONAL PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA é um evento organizado por diversas entidades de todo o país, para onde caravanas de vários estados estão seguindo. Pernambuco estará representada através do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras - e todos os que têm os mesmos ideais podem participar. Além da caminhada, muitas outras atividades estão programadas.

O CEN/PE está formando o grupo de Pernambuco que seguirá em dois ônibus para Salvador, mostrar nossa força e experiência como povo de axé. Vista-se de branco e inscreva-se. Os pacotes incluem o traslado Recife-Salvador, alojamento em casas de axé colaboradoras da Caminhada, alimentação, inscrição no seminário e programação cultural. Mais informações podem ser obtidas através do email cenpernambuco@gmail.com ou pelos telefones 81 - 9299.8221 (Lindacy Assis) 9728.4750 (Marcelo Uchôa).

Visite o blog do CEN/PE para conferir outras realiações desta iniciativa que vem fazendo a diferença nas nossas lutas por respeito e valorização: http://cenpernambuco.blogspot.com

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MÃE BETINHA - Elizabeth de França Ferreira - CEM ANOS



Elizabeth de França Ferreira, a inesquecível Mãe Betinha para todo o seu povo, nasceu em 29.11.1909. Há cem anos, a cultura afrodescendente brasileira ganhou um nome de força comparável apenas à das águas de Iemanjá Sabá que lhe guiavam os passos. O Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil lança o projeto Memorial Mãe Betinha, para que este grande exemplo continue vencendo o tempo e perpetuando os seus ensinamentos. O Memorial Mãe Betinha, Elizabeth de França Ferreira, é um projeto do Pólo Nacional de Saúde e Saberes Afro Brasil, que tem como metas, estimular e apoiar as comunidades terreiro no desenvolvimento de atividades ligadas à saúde e cidadania em seu entorno social.

O Memorial Mãe Betinha se integra às demais atividades desenvolvidas pelo Pólo na valorização de um personagem de grande importância em diversas esferas. Para o Candomblé, Mãe Betinha representou a resistência da religião à intolerância no período do Estado Novo e a preservação de um formato de culto de origem iorubana, o xangô recifense ou nagô em sessenta e cinco anos de sacerdócio. Em sua atuação à frente da comunidade do Ilê Axé Yemanjá Sabá Bassamí, Mãe Betinha representou liderança, consciência e força na defesa dos direitos e da posição da mulher na sociedade. Seu exemplo ainda vai além da esfera religiosa, quando trouxe para um dos bairros mais populosos e carentes da Região Metropolitana do Recife, olhares nacionais e internacionais que transformaram o seu terreiro em uma reconhecida fonte do saber popular.

O Memorial contará com exposição permanente de fotografias, vídeos e objetos que ilustrem a figura da yalorixá Betinha de Yemanjá Sabá e sua tradição. O acervo será construído a partir da disponibilização de material por familiares, amigos, descendentes na religião e pesquisadores que a tomaram como referência. A estrutura física cedida para o Memorial será o antigo local reservado por Mãe Betinha para atender e aconselhar os que lhe procuravam. O espaço foi preservado em suas características básicas, mesmo após o fechamento do terreiro, decorrente do falecimento da sua zeladora.

A inauguração do Memorial será realizada no dia 29.11.2009, em comemoração pelo centenário de Mãe Betinha. O local ficará aberto para visitas individuais ou em grupo de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, mediante agendamento, nos dias de funcionamento do Pólo Afro Brasil e das atividades religiosas públicas do terreiro.

A inauguração do Memorial contará com a presença de autoridades, pesquisadores, lideranças sociais e religiosas, familiares e descendentes do axé de Elizabeth de França Ferreira, além da comunidade que cresceu ao redor do terreiro que conta aproximadamente 70 anos de história. Neste dia serão promovidas palestras sobre a história de Mãe Betinha e sua atuação na valorização e preservação da identidade afro-descendente em 70 anos de sacerdócio, debates sobre a luta histórica contra a intolerância racial e religiosa, exibição do premiado vídeo As Yalorixás do Recife, que reúne mulheres ícones da cultura negra recifense desde o século XIX, apresentações do Afoxé Omim Sabá, do Projeto Capoeira São Salomão, feira de arte, literária e coquetel aos convidados. Após os debates e coroando o evento, acontecerá a Festa de Iemanjá do Ilê Iyá Axé Ogê L´Awô, dentro da tradição Ketu, que sucedeu o Ilê Axé Yemanjá Abassami, do qual Mãe Betinha foi sacerdotisa.

domingo, 1 de novembro de 2009

Recife celebra Zumbi


No dia 3 de novembro, pela manhã, o Núcleo Afro da Prefeitura do Recife promove um encontro às 7h da manhã para celebrar a abertura do mês da Consciência Negra. O local do evento será o ponto onde Zumbi, um dos grandes nomes da resistência negra à escravidão, depois de morto, teve sua cabeça exposta para que a população aprendesse o que aconteceria com quem o tomasse como exemplo. Terça-feira, o que será exposto em um dos pontos mais movimentados da capital pernambucana desde o século XVII, vai além dos cabeças dos movimentos negros. Estará à vista de todos, a nova consciência das pessoas em relação às suas lutas e à resistência. À tarde, 15h, a Caminhada do povo de terreiro parte do Marco Zero.

Dia 03 – Celebrando o Mês da Consciência Negra

Horário: 07:00 Café da Manhã com Lideranças do Movimento Negro
Local: Memorial Zumbi dos Palmares - Praça do Carmo.

Tema: Celebrando Zumbi e Promovendo uma Cultura de Combate ao Racismo e toda forma de Intolerância.
Participação: Quilombo Cultural Malunguinho - Afoxé Elegbara – CEPIR – GRAC – MNU - Rede de Negras e Negros LGBT - Secretaria de Culrura/Fundação de Cultura-Núcleo Afro – Secretaria de Direitos Humanos -Diretoria da Igualdade Racial/PCR.

Informação: 3232-2308 / 8767-6533


"Zumbi nasceu em Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar destas tentativas de aculturá-lo, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.

Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.

Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."

Fonte: Wikipedia





quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Liberdade religiosa no Brasil: HABEMUS ACORDUM


A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, apresentou anteontem, 27 de outubro, um relatório sobre a liberdade religiosa no mundo. O documento tece elogios à America Latina e ao Brasil, por serem locais onde, em geral, os direitos são respeitados.

De fato, temos liberdade religiosa apenas parcial, se é que liberdade parcial é liberdade. No Brasil, um estado laico (Do latim laicus, é o mesmo que leigo, equivalendo ao sentido de secular da palavra "leigo" em oposição a bispo ou religioso, na prática, durante quase toda a história ocidental, os detentores de um saber maior), tanto a liberdade de opinião e a inviolabilidade de consciência são asseguradas por nossa Constituição. O Estado não tem sentimento religioso e, laico como é, não deve estabelecer preferências ou se manifestar por meio de seus órgãos. No entanto, vemos que hoje há um predomínio de símbolos religiosos em prédios públicos, em sua maioria, crucifixos.

Sendo o Brasil um Estado laico, que se coloca como neutro no que diz respeito à religião, então onde se assegura o direito das minorias não adeptas de tais símbolos? Instituições fundamentais como a Justiça exibem em destaque símbolos cristãos, o que configura na opinião do blogueiro do Povo do Axé, propaganda religiosa e segregação social quando impõe a figura do que é o modelo da Casa. Como tal, as palavras e dogmas que lhe atribuem (tão historicamente contestadas) são o guia para as decisões judiciais?

Há um ano o presidente Lula assinou, em audiência privada com o papa Bento XVI, chefe da Igreja Católica Apostólica Romana, no Vaticano, o acordo Brasil-Santa Sé que trata de convênios inclusive para o ensino religioso no Brasil. Sem debates públicos, o acordo despertou revolta por parte de grupos que defendem a laicidade do Estado e a pluralidade religiosa do país, promulgadas na Constituição. A assinatura do documento em si, já configura privilégio a uma religião, à medida que firma parceria com uma instituição em detrimento das demais que, por motivos unicamente cabíveis a elas próprias, não possuem a mesma construção política capaz de equiparar-se ao Estado do Vaticano.

Este é o caso do Candomblé, uma religião plural, um conjunto de expressões religiosas que não possuem modelo único e poder centralizador institucional geral por circunstâncias próprias à religião. Ainda assim, as iniciativas populares conseguem paulatinamente a inclusão nas ementas escolares, do ensino da cultura afrobrasileira nas escolas de todo o país, cujo acordo entre o presidente Lula e o Vaticano constrói um imenso obstáculo.


A seguir, a matéria publicada no Jornal de Brasília sobre o relatório do Governo Americano.


Relatório aponta Mianmar, China e Irã como piores em liberdade religiosa
Jornal de Brasília - 27/10/2009

O Governo americano expressou hoje [anteontem] sua preocupação com a repressão religiosa em Mianmar (antiga Birmânia), China e Irã, e em outros países considerados menos restritivos, como Venezuela e Cuba, onde a liberdade de culto também é desprezada.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, apresentou hoje [anteontem] o relatório anual sobre liberdade religiosa, que analisa as restrições, abusos e melhoras para garantir a diversidade de culto e que serve como indicador para sua política externa.

Com um espírito de "diálogo" e "cooperação", como foi transmitido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em seu discurso ao mundo muçulmano em junho, Hillary ressaltou a necessidade de se fortalecer a tolerância e o respeito entre as diferentes comunidades, para garantir a estabilidade.

O relatório aponta novamente Mianmar, China e Irã como os países que cometem "severas violações" contra a liberdade religiosa, junto a outros como Sudão, Eritréia, Coreia do Norte, Arábia Saudita e Uzbequistão.

O documento destaca que a liberdade religiosa é "amplamente respeitada" na América Latina, com exceção de Cuba, e também faz referência aos impedimentos na Venezuela ao acesso de alguns missionários estrangeiros a regiões indígenas.

Os EUA afirmam que apesar de a Constituição cubana reconhecer o direito dos cidadãos a professar a fé que quiserem com "respeito à lei", o Governo "segue impondo" restrições, e o Ministério do Interior vigia as instituições religiosas, que devem se registrar obrigatoriamente no Ministério da Justiça.

No caso da Venezuela, reconhece que o Governo "geralmente" respeita a liberdade de culto, embora os grupos religiosos, "da mesma forma que outros que criticam o Governo", podem ser objeto de "assédio" e "intimidação", e lembra as críticas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, aos bispos católicos e ao Núncio Apostólico.

Já como casos positivos, o relatório assinala os avanços em países como o Brasil, que inaugurou uma linha telefônica para receber denúncias sobre discriminação religiosa.

O relatório destaca ainda que os maiores abusos acontecem em países com "estritos regimes autoritários", que querem controlar as religiões como parte de um controle mais amplo da vida civil, como em Mianmar, onde ser budista continua sendo um requisito para ser promovido em cargos públicos.

No caso da China, a Constituição protege as "atividades religiosas normais" e, sob esse adjetivo, as autoridades têm uma ampla margem para decidir o que é "normal".

O Governo se opõe à lealdade aos líderes religiosos de outros países e regiões, como o papa e o Dalai Lama, e o relatório ressalta a "severa" repressão aos tibetanos e os uigures, alegando extremismo religioso e até terrorismo.

Já o Irã é uma nação islâmica na qual rege a sharia (lei islâmica). Sua Constituição assegura o respeito a outros grupos desta religião, além de cristãos e judeus, que estão "protegidos" como minorias.

No entanto, na prática, a retórica e a ações do Governo do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, constroem "uma atmosfera de ameaça" para os grupos não xiitas, em particular para os muçulmanos sufis, os cristãos evangélicos e os judeus, que são intimidados e perseguidos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

III Caminhada dos Terreiros de Matrizes Africanas e Afrobrasileiros


Em mais uma edição, a Caminhada dos Terreiros de Matrizes Africanas e Afrobrasileiros no dia 3 de novembro de 2009 continua sua luta por em reivindicações fundamentais para todo o povo de Candomblé e Umbanda.
A 2a Caminhada, no ano passado, foi um grande sucesso, num cortejo que esbanjou alegria tendo os manifestantes sido recebidos no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado, pelo governador Eduardo Campos.

Para 2009, as necessidades ainda continuam, apesar dos esforços que duram todo o ano. A caminhada é muito longa até a conquista do respeito ideal que os adeptos das religiões afrodescendentes mecerem.

Transcrevo abaixo, ipsi literis, o texto do projeto da Caminhada, para que todos compreendam a importância, as reivindicações, e a necessidade que esta iniciativa tem de apoio. Os objetivos do evento extrapolam seu caráter político e reivindicatório e ele se torna uma grande confraternização que veste de branco as ruas do centro do Recife. A concentração será na Praça do Marco Zero, às 15h.
Nos encontramos novamente lá.


"3A CAMINHADA DOS TERREIROS DE MATRIZ AFRICANA E AFRO-BRASILEIRO
03 DE NOVEMBRO 2009 RECIFE - PE
Concentração: Praça do Marco Zero / 15:00hs.

Apresentação:
A intolerância e o desrespeito às religiões de matriz africana é um fato, porém, temos a compreensão de que é preciso combatê-la como uma das expressões do racismo brasileiro, que coloca em lugar de inferioridade todas as expressões ligadas à história e a cultura negra. Neste sentido, é preciso fortalecer às várias formas de reação ao preconceito, assim, a comunidade tem construído diversas formas e estratégias. Nos últimos tempos as caminhadas de terreiros tem sido uma prática constante em vários estados do Brasil.
Em Pernambuco, desde 2007, as comunidades dos terreiros tem marcado seu ato político para abrir o Mês da Consciência Negra (Novembro). E o vem fazendo, articulado, 1a Terça feira do mês de Novembro, saindo pelas ruas do Recife, para exigir que todas as formas de discriminação e Intolerância Religiosa acabem e que haja punição aos que cometem crimes contra as religiões de Matriz Africana.

Justificativa:
Juntamente, a perspectiva da caminhada, nos últimos anos, tem sido fazer cumprir as determinações da resolução 36/55 da Assembléia Geral da ONU, em 25 de novembro de 1981, que trata do tema. De considerar a Declaração Universal dos Direitos humanos, os Acordos e Convêncios Internacionais de respeito e direito a diversidade, os resultados da conferência internacional contra o racismo e a intolerância - Durban. Assim, pautando a luta contra a intolerância no âmbito da responsabilidade do estado Brasileiro. As comunidades de terrero do estado de Pernambuco tem se organizado para assegurar, exigir o respeito da sociedade como um todo. Essa ação articulada, tem como base garantir seus direitos a liberdade de Pensamento, consciência, Religião e Crença, garantidos na constituição federal.

Dos objetivos:
• Neste ano, a Caminhada dos Terreiros em 03 de Novembro ratificará sua indignação contra atos discriminatórios, exigindo do Brasil PAÍS LAICO, o direito de professarmos nossa fé; cobraremos também do Governo, a implementação da Lei 10.630/03 que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.
• Ratificar a importância da mobilização das Casas Religiosas de Matriz Africana, Afro-Brasileira, Jurema e Umbanda de todo o estado.
• Repudiar a prática Anti-Ética nos meios de comunicação por integrantes das religiões de matris africana, por significar flagrante violação dos princípios ancestrais, desrespeitos a comunidade de terreiro e contribuição para ridicularização e discriminação dos cultos de matriz africana e afro-brasileiros.
• mostrar nosso desacordo pela Concordata Firmada pelo Governo do Brasil com o Estado do Vaticano, por significar flagrante violação do art. 19 da Constituição Federal, além de abrir procedente formal de privilégio a uma confissão religiosa em detrimento a obrigatorieddade de tratamento isonômico entre a pluralidade de crença existente no Estado Democrático e Laico brasileiro. Exigimos a imediata abertura de diálogo com a sociedade brasileira através da realização de audiências públicas e retirada do Estatudo Jurídico da Igreja Católica (MSC 134/09) da pauta das discussões do Congresso Nacional.

Das metas:
• Estar nas ruas, combater todas as formas de Preconceito e Discriminação Religiosa, buscando o Respeito, Empoderamento e Visibilidade dos Terreiros.
• Fazer saber, que somos de uma rleigião milenar, onde nossos cultos são devotos à natureza; Acreditamos que esta NATUREZA é a maior manifestação de OLORÚN (DEUS) na terra.
• Buscar o reparo para o nosso povo, socializar os espaços de direito, louvar os Orixás que atua como elemento unificador entre os vários povos africanos que aqui chegaram.
• Falar à todos irmãos e irmãs de outras rleigiões que, como eles, adoramos a Olorúm (DEUS) sobre todas as coisas. Desmistificando assim, a falsa conotação que "eles" dão a nossa religião.

Realização: GRAC-PINA, CEPIR, UIALA MUKAJI, INTECAB, ABYCABE-PE, SOCIAFRO, GANGA BRAZUCA.
Apoio: Prefeitura do Recife, Prefeitura Popular de Olinda, Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes e Governo de Pernambuco.

Concentração: Praça do Marco Zero.
Percurso: Av. marquês de Olinda/Rua Mariz de Barros/Praça da República/Campo das Princesas/Rua do Sol/Avenida Guararapes/Avenida Dantas Barreto.
Final: Praça Nsa. Sra. do Carmo (Estátua Zumbi dos Palmares) - Cerimônia religiosa Umbanda e Jurema."

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pólo Saúde e Saberes Afro Brasil recebe oficina de bonecos

O Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil promoverá no mês de novembro, uma oficina de manipulação e confecção de bonecos com sucata, ministrada pela pedagoga e arte-educadora Dori Sandra Ramos.

A oficina, voltada para crianças e adolescentes da comunidade do Ilê Iya Ori Axé Ogê Lawô (onde funciona o Pólo), no bairro do Vasco da Gama, Recife, e do seu seu entorno. Elas construirão e vivenciarão mitos do Candomblé através dos bonecos, da sua montagem e manipulação. Segundo Dori Sandra, a atividade estimula o aprendizado, a leitura, exercita a contextualização, oralidade, desenvoltura, percepção e a socialização pelo trabalho cênico.

No final da oficina, será apresentado o espetáculo, ainda em segredo, no dia 29 de novembro, às 18h, para o qual, todos estão convidados.

Estamos ansiosos e vamos conferir!

NOTA (30/11/2009): A Oficina de Manipulação e Confecção de Bonecos de Sucata foi adiada. A próxima data será informada também através do blog.

sábado, 17 de outubro de 2009

Imperdível: XII Alaiandê Xirê


Há alguns meses ouvimos os rumores de que o Recife receberia a próxima edição do Alaiandê Xirê, um dos eventos mais importantes do pais para a cultura candomblecista. Confirmado nas últimas semanas, a programação saiu e temos o prazer de trazer para vocês do Povo do Axé tudo o que nos aguarda de 18 a 22 de Novembro de 2009, no Sítio de Pai Adão, aqui no Recife.


Alaiandê Xirê, Festival de Alabês (Nagô), Xicarangomas (Congo/Angola) e Runtós (Jêje), é o encontro anual dos Sacerdotes/Músicos, de ritmos litúrgicos e cânticos dos terreiros de Candomblé da Bahia, das diferentes nações e de outros estados brasileiros e diásporas africanas. Criado pelo Ogã de Ogum Roberval José Marinho e pela Agbeni Xangô Cléo Martins, ambos filhos do Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. Xangô, o orixá do fogo, justiça e poder em exercício é o padroeiro do Alaiandê Xirê.

O primeiro festival aconteceu em 1998, no Ilê Axé Opô Afonjá, palco de todos os Alaiandês até 2005 quando ficou decidido que daí para frente seria itinerante. A primeira edição itinerante aconteceu em 2006, sob a denominação de "O Fogo que Fica", no tradicional terreiro Mansu Banduquenqué (Bate Folha). No ano de 2007 fomos para o Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Casa Branca) com a denominação “Ipadê-Lomi”. Já em 2008 o Alaiandê Xirê aconteceu no Ilê Odô Ogê (Pilão de Prata) com a denominação “A Família Bangbose Obitikô“.

O evento é aberto ao público em geral e sem fins lucrativos.

Sàngó Nfé Kabieci!

RITA VIRGÍNIA RODRIGUES DO RIO
Secretária



O Centro de Cultura Afro Pai Adão, que tem por meta preservar e fortalecer a cultura de origem africana nas diversas formas em que se manifesta, assim como, desenvolvedor que é de diversas ações de ordem social tem o privilegio de ter sido escolhido pelo Instituto Alaiandê Xirê para promover a XII Edição do Festival Alabês, Xicarangomas e Runtós (os Sacerdotes Músicos dos Terreiros de Candomblé). O evento será realizado de 18 a 22 de novembro próximo no Terreiro Ilê Obá Ogunté (Sítio do Pai Adão), que foi fundado em 1875 por Inês Joaquina da Costa, Yfá Tinuké (também conhecida como Tia Inês), africana oriunda da cidade de Oyó (Nigéria) que o dedicou a Yemanjá.

MANOEL DO NASCIMENTO COSTA
Presidente do
Centro de Cultura Afro Pai Adão

PROGRAMAÇÃO

Dia: 18/11

18h30m - Abertura Oficial
Instalação da Mesa Diretora
Execução do Hino Nacional do Brasil
Execução do Hino Alaiandê Xirê
Saudação aos Ancestrais
Saudação aos Orixás

Homenagens
Alfredo Belarmino da Silva (Alfredo Pequeno) - Grande Mestre dos Ogãs de Pernambuco
Iyá Stella de Oxossi - Iyalorixá do Ilê Axé Opó Afonjá pelos seus 70 anos de iniciação
Humberto Costa - Secretário das Cidades do Governo do Estado de Pernambuco e incentivador da criação da Lei 10.639
Luiz de França (Luiz do Maracatu) - Babalorixá do Terreiro Obá Aganjú e Grande Mestre do Maracatu Leão Coroado
Maria do Bonfim Galdino (Tia Mãezinha) - Iyalorixá do Sítio de Pai Adão (filha carnal de Pai Adão)
Malaquias Felipe da Costa - Babalorixá do Terreiro Obá Ogunté (filho carnal de Pai Adão)
Corbiniano Lins - Artista Plástico
Iyá Lucinha de Bogum (in memoria)
Emília Rodrigues Braga (Iyá Ainã) e Maria Rodrigues Braga (Iyá Ajay) - as tias do Pátio do Terço (in memoria)
Jornal Angola
Movimento Negro Contemporâneo de Pernambuco pelos seus 30 anos de fundação Casa Xambá
Roça Gege Oxum Opará Oxossi Ibualama
Centro Espírita Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro
Centro Espírita São Jerônimo

20h30m
Lançamentos de literários
Relançamento do CD Korin Orishá, de José Amaro dos Santos

21h00
Apresentação das delegações de Alabês, Xicarangomas e Runtós


Dia 19/11

09h00
Mesa Redonda: Alaiandê Xirê - História e Memória
Coordenador: Manoel do Nascimento Costa (Manoel Papai)/PE - Babalorixá do Sítio de Pai Adão e Diretor do Centro de Cultura Afro Pai Adão
- Rita Virgínia Rodrigues do Rio/BA - Omorixá do Ilê Axé Opó Afonjá, Secretária Executiva do Alaiandê Xirê e Educadora
- Luiz Carlos Austregésilo Barbosa/BA - Iperilodé do Ilê Axé Opó Afonjá, Médico Psiquiatra e Professor do Curso de Medicina da FTC
- Roberval José Marinho/BA - Folojutogun do Ilê Axé Opó Afonjá, Artista Plástico e Professor da UNB

10h30m
Mesa Redonda: A História das Religiões Africanas em Pernambuco (Nagô, Xambá, ketu, Angola, Jêje, Umbanda e outras)
Coordenador: Roberto Mauro Cortez Motta/PE - Antropólogo
- Adeildo Paraíso da Silva (Ivo do Xambá)/PE - Babalorixá da Casa Africana Xambá
- Mãe Elza/PE - Iyalorixá do Terreiro Yemanjá Ogunté e Membro do Grupo de Mulheres do Culto Afro
- Iyá Beatriz Moreira Costa (Mãe Beata)/RJ - Iyalorixá do Ilê Omi Ojú Arô
- Valéria Costa/PE - Pesquisadora

12h00
- Almoço

14h00
Mesa Redonda: Turismo Afro Pernambucano
Coordenador: Samuel de Oliveira/PE - Secretário de Turismo da Cidade do Recife
- Eroiltom Pereira dos Santos/PE – Coordenador Estadual do UNEGRO
- Ana Cristina Moraes/PE - Autora do Projeto Turismo Afro Pernambucano
- Inaldete Pinheiro de Andrade/PE - Mestra em Educação

16h00
Mesa Redonda: A Lei 10.639 e a Educação nas Escolas Públicas
Coordenador: Ceça Axé/PE - Professora e Presidente do Centro de Cultura Afro Pai Adão
- Fátima Oliveira/PE – GTERÊ
- Claudilene Silva/PE - Mestra em Educação
- Jorge Bezerra de Arruda/PE - Secretário do CEPIR
18h00
- Apresentação das delegações de Alabês, Xicarangomas e Runtós

Dia 20/11

09h00
Mesa Redonda: Umbanda para todos nós e a Jurema Sagrada
Coordenador: Edson Axé/PE - Diretor do Centro de Cultura Afro da Prefeitura da Cidade do Recife
- Jorge Bezerra de Arruda/PE - Secretário do CEPIR
- Alexandre Alberto dos Santos Oliveira (L’Omi L’Odò)/PE – kipupa Malunguinho
- Ângelo Mário do Prado Pessanha/RJ - Babakekerê do Ilê Axé Aiyrá Untinlé e Doutor em Educação com especialização em Antropologia

10h30m
Mesa Redonda: População Negra e a Cidadania
Coordenador: Valteir Silva/PE - Professor de Filosofia da UFPE e Presidente do NEAB
- Bernadete Azevedo/PE – Promotora de Justiça e Coordenadora do GT Racismo
- Henrique Cunha/PE – Doutor em Educação
- Vera Regina Barone/PE - Presidente do Grupo Uiala Macajé
- Air José Souza de Jesus/BA – Babalorixá do Ilê Odô Ogê

12h00
- Almoço

14h00
Mesa Redonda: A Força das Iyás nas Religiões de Matriz Africana
Coordenador: Iyá Maria Helena/PE - Iyalorixá
- Iyá Lúcia Crespiniano/PE - Iyalorixá
- Iyá Lúcia dos Prazeres/PE - Iyalorixá e Mestra em Educação
- Iyá Lúcia Costa/PE - Iyalorixá do Terreiro Obá Ogunté
- Iyá Nice Spindola/BA - Iyalarê do Alaiandê Xirê e Omorixá do Ilê Axé Iyá Nassô Oká

16h00
Mesa Redonda: Ritmos Afro-Brasileiros
Coordenador: Naná Vasconcelos/PE - Percussionista
- Jailsom Viana Chacom/PE - Membro do Maracatu Porto Rico e Dirigente do Batuque
- José Amaro da Silva/PE - Babalorixá do Terreiro Obá Okosô e Professor de Música da UFPE
- Dito de Oxossi/PE - Babalorixá e Presidente do Afoxé Ilê Egbá
- Edivaldo de Araújo Santos (Papadinha)/BA – Alabê do Ilê Axé Iyá Nassô Oká e Babalaxé do Ilê Axé Iyá Omin Lonan

18h00
- Apresentação das delegações de Alabês, Xicarangomas e Runtós

Dia: 21/11

Abertura das Festas de Yemanjá em Recife

22h00
Abertura das festas com ritmos e cânticos na língua yorubá para o Orixá Exú seguido de cânticos para os demais Orixás.
01h00
Ogãs e Coral de Filhos de Santo do Sítio do Pai Adão entoarão cânticos para Orumilá, seguidos pela saída de caravana com destino a praia de Boa Viagem onde será realizada oferenda a Yemanjá (ritual da panela)

Dia 22/11

14h00
- Apresentação das delegações de Alabês, Xicarangomas e Runtós

20h00
- Anúncio da Cidade sede do XIII Alaiandê Xirê – Festival de Alabês, Xicarangomas e Runtós
- Coral, acompanhado pelos Tambores Sagrados, entoará louvores a Oxalá dando por encerrada as festividades


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cuidados ao recolher no roncó

Pessoal, a postagem desta semana é da maior importância. Este material que transcrevi para o Povo do Axé foi elaborado com assessoria jurídica pela Ialorixá Ceiça de Oyá, da nação Ketu, do Rio de Janeiro, e repassada para nós através da sua comunidade Bico da Baiana no Orkut. Conheço relatos de zeladores que passaram por constrangimentos sérios por não tomarem certas precauções ao recolherem iaôs. Portanto, aos que são chefes de terreiro, aos futuros babalorixás e aos que fazem parte de alguma casa, leiam o texto abaixo e reflitam sobre a seriedade, a importância e os benefícios de cuidados simples como estes a seguir.

Foto de Emílio Navarino


Cuidados ao recolher no roncó

"O recolhimento ao roncó não é uma prática exclusiva dos cultos afros, com destaque para o Candomblé. Conforme lembra o Dr. Hédio Silva Júnior, ex-secretário de Justiça de SP, várias religiões têm rituais em que fiéis ficam por um longo tempo – dias e até anos - recolhidas em dependências do templo religioso.

Ele lembra, por exemplo, as Irmãs Clarissa, enclausuradas durante toda sua vida nos 17 mosteiros existentes no país. Lembra ainda as Monjas Concepcionistas da Congregação Imaculada Conceição, totalmente reclusas no Mosteiro da Luz (SP).

Sabemos que o enclausura mento não se resume às Irmãs católicas. Isso vale para frades, monges budistas, para todos os religiosos que permanecem em clausura – por pouco ou muito tempo -, sem contato com o mundo lá fora. Em alguns casos, permanecem em celas. As Irmãs Clarissas só deixaram a clausura nos mosteiros por autorização especial do Papa Bento XVI quando veio ao Brasil.

Particularmente, no Candomblé – nem tanto na Umbanda – também se exige em certas ocasiões que o filho de santo seja recolhido ao roncó por vários dias. Não deixa de ser uma clausura, similar à das demais crenças que possuem este ritual.

Aqui surge a linha que separa a liberdade religiosa do que é estabelecido pela legislação brasileira. É inquestionável que a liberdade religiosa é assegurada na Constituição Federal, garantindo que qualquer um tem o direito de praticar sua fé, dentro dos limites da lei.

O ex-secretário de Justiça, contudo, chama atenção para este divisor legal. Quando o recolhimento ao roncó torna-se um problema judicial?

A primeira e mais dramática hipótese é quando vier ocorrer algum tipo de acidente grave ou fatal, isto é, quando o médium recolhido venha a falecer ou sofrer uma lesão corporal. A segunda é quando diz respeito ao recolhimento de crianças. Não é absurdo imaginar a hipótese de morte. Isso ocorre nos esportes. E estamos falando de atletas sadios que morrem no meio de uma partida de futebol.

O risco maior não reside necessariamente na pessoa recolhida, como lembra o Dr. Hédio. Imaginemos a família do médium, contrária ao recolhimento. E os vizinhos e amigos? Isso aconteceu com os Hare Krishna. E quem não aceita as religiões afrobrasileiras, com certeza vai encontrar no ritual de recolhimento um prato cheio para nos atacar.

Um dos casos mais famosos contados pelo ex-secretário é o caso de uma Ialorixá de São Paulo, quando uma médium recolhida para iniciação foi vítima de infarto fulminante. E como a Justiça brasileira interpreta os rituais de clausura e recolhimento?

Dependendo da interpretação do juiz, o roncó ou camarinha podem ser considerados cárcere privado. A alimentação, vestuário, corte de cabelo e os cortes podem ser interpretados como maus-tratos. Aí, é claro que um infarto pode ser interpretado como homicídio culposo (não intencional).

No caso de SP, a Ialorixá, três ogãs e a agibonan foram condenados a 16 anos de prisão em regime fechado. Em 2003, em Registro (SP), uma menina de 9 anos estava sendo iniciada a pedido da mãe biológica, que acompanhou pessoalmente toda a iniciação.

Uma representante do Conselho Tutelar local, fiel de uma religião neo-pentecostal, ficou sabendo da iniciação e fez uma "denúncia" ao referido Conselho.

O Babalorixá e quatro fiéis do Candomblé foram presos em flagrante sob acusação de manter criança em cárcere privado. O advogado Hédio Silva Júnior defendeu todos. Dois deles sequer foram denunciados. Os três foram absolvidos em primeira instância e respondem ao processo em liberdade.

E como proceder sem se correr o risco de sacerdotes tornarem-se alvos de ações penais? Muito simples: basta uma folha de papel com uma declaração assinada pela própria pessoa ou pelos pais ou responsáveis. Assim, são evitados problemas com o Conselho Tutelar e a Polícia.

Atenção, contudo, para esse detalhe: a declaração deve ser assinada por adulto com sua firma reconhecida. Ainda assim, deve-se levar em conta três situações. Se for criança (menos de 12 anos de idade) ou adolescente incapaz (12 a 16 anos), os pais devem assinar a autorização para o recolhimento, juntando os seguintes documentos: cópia do RG dos pais/responsáveis e se possível certidão de casamento dos pais; certidão de nascimento da criança ou do adolescente; cópia da averbação do divórcio ou documento que prove a guarda da criança/adolescente (unilateral ou compartilhada).

Quem detiver a guarda da criança ou adolescente é que poderá assinar a declaração; caso a guarda seja compartilhada, pai e mãe devem assinar a declaração.

No caso de adolescente relativamente capaz (16 a 18 anos), a autorização deve ser assinada por ele próprio e pelos pais (pai e mãe) ou responsável (quem tenha a guarda) e acompanhada dos seguintes documentos: cópia do RG do adolescente e dos pais/responsáveis e se possível certidão de casamento dos pais; certidão de nascimento do adolescente; cópia da averbação do divórcio ou documento que prove a guarda (unilateral ou compartilhada).

No caso de adultos, isto é, maiores de 18 anos, deve ser assinada por ele próprio e acompanhada de cópia do RG. A pessoa deve declarar que decidiu converter-se ao Candomblé ou Umbanda, e que a permanência no terreiro decorre de sua livre e espontânea vontade. Deve declarar ainda que está ciente de que as cerimônias incluem uso de indumentária litúrgica, dieta religiosa, corte de cabelo e escarificação religiosa (cortes). Deve constar ainda o endereço completo do templo e período de permanência (dia de entrada e de saída).

Essas recomendações valem para recolhimentos de um ou 21 dias. Dormiu no terreiro? Tem que existir um documento. E se possível, também qualquer pessoa, estranho ou médium da Casa há muito tempo deve assinar como testemunha.
Esses cuidados evitam uma ação penal que pode alcançar 16 anos de reclusão. E não faltam inimigos da Umbanda e do Candomblé sedentos por nos atingir a qualquer preço. Como diziam nossos avós, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

ASÉ IRMÃOS!"


A Ialorixá Ceiça de Oyá ainda nos sugere dois modelos de declarações.

É IMPORTANTE QUE UM ADVOGADO DE CONFIANÇA DE CADA ZELADOR AVALIE O CONTEÚDO DESTA POSTAGEM, BEM COMO O MATERIAL DISPONIBILIZADO, PARA ADEQUAÇÃO DOS MESMOS À REALIDADE DA SUA APLICAÇÃO E MAIS INSTRUÇÕES SOBRE OS PROCEDIMENTOS LEGAIS.

____________________________________________________________________


MODELO DE DECLARAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE ADULTOS Eu, ________________ , brasileiro, (casado ou solteiro), residente e domiciliado no município do Recife (ou nome do município), inscrito na Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (ou órgão equivalente no seu Estado) sob o nº _______________ e CPF/MF sob o nº _______________ , declaro para todos e qualquer fins de direito que decidi me converter ao culto do Candomblé (ou Umbanda). Declaro ainda e que a minha permanência nas dependências do Ilê Axé _______________, sito à Rua (endereço completo do terreiro), no período de ___/___/___ a ___/___/___ , decorre da minha livre e espontânea vontade, para participação dos rituais de conversão religiosa os quais compreendem, entre outros, o uso de indumentária litúrgica, dieta religiosa, corte de cabelo, escarificação religiosa (cortes) e incomunicabilidade, que fazem parte dos preceitos religiosos de asseamento e purificação corporal. Recife, __ de ___________ de _______ Fulano de Tal Obs. Reconhecer firma e anexar cópia da identidade, a presente declaração



____________________________________________________________________

MODELO DE DECLARAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE CRIANÇAS



Eu, ________________, genitor, brasileiro, casado, comerciante (colocar a profissão), portador da cédula de identidade número __________, residente e domiciliado na (endereço completo) e ________________, genitora,bra
sileira, do lar (ou colocar a profissão), portadora da cédula de identidade número __________, residente e domiciliada na (endereço completo), declaramos para todos e devidos fins de direito que decidimos, de forma livre e espontânea, converter nosso filho, _____________________, de ___ anos de idade, no culto do Candomblé.

Declaramos ainda que, por vontade própria e desembaraçada, optamos pelo RECOLHIMENTO de seu filho ______________ nas dependências do Ilê Axé ________, sito na (endereço completo), no período de
___/___/___ a ___/___/___ , para participação em rituais religiosos os quais compreendem, entre outros, o uso de indumentária especial, dieta religiosa e escarificação religiosa.

Declaramos, por fim, estarmos cientes de que no referido período de RECOLHIMENTO teremos assegurada a irrestrita liberdade de acesso e de visita ao nosso filho, podendo inclusive fazer-lhe companhia pelo tempo que julgarmos oportuno, sem qualquer forma de embaraço, ressalvados os preceitos religiosos de asseamento e purificação corporal.

Recife, __ de ___________ de _______

Fulano de Tal

Fulana de Tal

Obs. Reconhecer firma e anexar cópia da identidade, a presente declaração

domingo, 4 de outubro de 2009

Para que floresça NOSSO povo

A Que Florezca Mi Pueblo

Para Que Floresça Meu Povo

Quiero cantarle a mi tierraQuero cantar-lhe a minha terra
Y que florezca E que floresça
Dentro del clima mi pueblo Dentro do clima meu povo
Y su primavera E sua primavera
Inaugurar mil palomas de pan Inaugurar mil pombas de pão
Y que no mueran E que não morram


Quiero elevarme en un gritoQuero elevar-me num grito
Y tal vez pueda E talvez possa
Tomar el sol de la mano Tomar o sol da mão
Cuando se aleja Quando se afasta
Para quitarle la luz y la voz Para tirar-lhe a luz e a voz
Mi pueblo espera Meu povo espera


Cuando tu te pares a mirar la vidaQuando tu pares a olhar a vida
En el vertice justo del tiempo y la luz No vértice justo do tempo e a luz
Veras la grandeza del hombre y su dia Verás a grandeza do homem e seu dia
Su camino nuevo, su cancion azul Seu caminho novo, sua canção azul


Quiero brotar en la espigaQuero brotar na espiga
De la conciencia Da consciência
Del hombre nuevo que lucha Do homem novo que luta
Por su mañana Por sua manhã
Y proclamar su tiempo azul de pie E proclamar seu tempo azul de pé
Dando la cara Dando a cara

Mercedes Sosa foi uma das maiores vozes da música latinoamericana. Argentina, fez parte de um movimento musical conhecido como Nueva Canción, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, o consumismo e às desigualdades sociais. Foi conhecida como "a voz dos sem voz". Mercedes Sosa faleceu hoje, 4 de outubro de 2009, aos 74 anos. Sua voz levou sempre uma profunda mensagem de compromisso social através da música de raiz folclórica.

O blog Povo do Axé, apesar de voltado para a cultura afrodescendente brasileira e pernambucana, deixa registrada a sua admiração por mais esta grande personalidade da luta pelas tradições não só do seu povo, mas de todos os latinoamericanos que são irmãos nas lutas pelos mesmos grandes problemas sociais.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

IV Kipupa Malunguinho - Coco na mata do Catucá 2009


Uma tradição dinâmica

Kipupa significa união, agregação de pessoas, associação de indivíduos em prol de algum objetivo, este termo também dá nome a uma cidade em Angola que se formou pela agregação de refugiados da guerra civil para formarem um gigante quilombo de esperança e reconstrução identitária, Malunguinho, vem do vocábulo Malungo que significa camarada, amigo, companheiro de bordo e de lutas, palavras pertencentes ao tronco lingüístico Kimbundo, língua falada em Angola, país de que vieram estes negros guerreiros. Malunguinho é o título dado aos líderes quilombolas pernambucanos que no século XIX fizeram ferver a capital na luta por liberdade e seus direitos.

O KIPUPA Malunguinho nasce em 2006 do anseio de resgatar e dar visibilidade a nossas lideranças históricas negras/indígenas negadas pela historiografia oficial, a exemplo do líder negro Malunguinho e tantos outros, destacando o papel de Pernambuco na resistência negra no Brasil. Determinamos o mês de Setembro para realização anual do evento em homenagem ao ultimo líder Malunguinho do Quilombo do Catucá, o João Batista que teve sua data de morte comprovada a partir de documentos existentes no Arquivo Publico Estadual Jordão Emerenciano, em 18 de setembro de 1935.

O Quilombo Cultural Malunguinho- Histórico e Divino, entidade idealizadora e realizadora do evento, implanta a partir da realização do I° Kipupa Malunguinho, ocorrido em setembro de 2006, um calendário permanente para comemorações e homenagens as lideranças negras históricas. Sobre tudo por que em setembro de 2007 aprovamos a lei estadual 13.298/07, a Lei da Semana Estadual da Vivência e Pratica da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho, que ainda não foi sancionada pelo governador, que a o fará ainda este mês.

O objetivo do evento é manter viva a memória e história dos líderes quilombolas, construindo o sentimento de pertencimento e reconhecimento nacional a estes líderes negros, através das discussões de temáticas sócios- educacionais e culturais, com a participação de sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada, do Candomblé (Xangô), pesquisadores, estudiosos, mestres e mestras da cultura tradicional e popular, músicos e interessados, materializando em matas fechadas do antigo quilombo de Malunguinho um a possibilidade de imersão na vivência e prática na cultura afro indígena pernambucana, através de debate, ritual (liturgia da Jurema) e o grande coco da mata, com mestres de renome como Mestre Galo Preto, Mestra Eliza do Coco, Bongar e outros que tem na tradição cotidiana o contato com nossas matrizes fundadoras da identidade nacional.

Todo evento é para homenagear e reconhecer Malunguinho, líder negro que elevou-se à divindade na Jurema assumindo a patente de Rei da Jurema, se firmando na tradição oral e teológica nordestina como defensor espiritual, posto este que o diferencia de Zumbí dos Palmares que não “baixa” nos terreiros.

O Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá é um evento único no gênero. Nele o participante poderá conhecer parte de nossa história que não está nas escolas nem nos livros. Poderá brincar e vivenciar coletivamente a experiência de adentrar nas tradições menos acessíveis ao público, por serem na maioria religiosas/culturais.

Todo roteiro é feito para poder-se experienciar a vida daqueles negros e negras que ali (matas do engenho Pitanga II- Abreu e lima - Catucá) lutaram, viveram e morreram.

ROTEIRO E PROGRAMAÇÃO

Mestras e Mestres convidados: Mestre Galo Preto, Dona Eliza do Coco, Bongar, O Tronco da Jurema, dentre outros artistas do coco pernambucano.

7h. Saídas dos ônibus (Memorial Zumbí- Carmo Recife) e dos terreiros e municípios de Paulista, São Lourenço da Mata, Recife, Goiana etc;

8h. Encontro na Prefeitura de Abreu e Lima dos ônibus e pessoas;

9h. Chegada na mata.

9h. e 20min. Abertura com diálogo e palestra sobre Malunguinho (normas do evento)...

10h. Entrada na mata com ritual e grupos de capoeira, maracatu e caboclinho saudando Malunguinho;

10h. e 30min. Ritual para Malunguinho com Juremeiros e povo de terreiro (gira, cânticos, louvações e obrigação);

11h e 40min. Descida ao centro da Mata do Catucá, arrastão do coco de mata à dentro...

12h. e 20min. Coco na Mata com os mestres e mestras do coco e da Jurema.

15h retorno para almoço tradicional da Jurema;

15... Mais coco...

17. Fechamento e retorno do comboio de Malunguinho.



SERVIÇO:

O que: IV Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2009.
Onde? Matas do Engenho Pitanga II, Área Rural de Abreu e Lima (Catucá).
Que horas: Saída as 7h da manhã no Memorial Zumbí dos Palmares. Carmo Recife.
Colaboração: R$10,00. Ônibus e almoço grátis.


CONTATOS:
Alexandre L’Omi L’Odò- 81 8887-1496 / João Monteiro- 81 9428-4898
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
www.qcmalunguinho.blogspot.com

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Álbum resgata culto aos orixás

Música - Publicado em 22.09.2009, às 21h07 - Luís Fernando Moura Do Caderno C

José Amaro reuniu os músicos e promoveu a volta às bases negras de nossa formação sociocultural

José Amaro reuniu os músicos e promoveu a volta às bases negras de nossa formação sociocultural
Foto: Tiago Calazans/ JC Imagem

Ao passo em que a nossa cultura se transforma, a memória das raízes afro-brasileiras periga ficar à margem do que nos move, quase sempre pelos impulsos do que está em alta no mercado. Por meio de iniciativa do Serviço Social do Comércio (Sesc), o professor de música José Amaro Santos da Silva reuniu alguns músicos e promoveu uma volta às bases negras da nossa formação sociocultural. Quer incluir orixás no circuito. “Somente os judaico-cristãos não souberam assimilar essa maravilha cultural religiosa”, afirma na apresentação do primeiro disco do grupo Korin Orishá, que será lançado nesta quarta-feira (23), a partir das 20h, no Teatro Santa Isabel.


Batizada de Suíte afro-recifense, a obra busca resgatar manifestações afro-brasileiras que se desenvolveram em território pernambucano. O título de suíte indica a transposição dos cânticos em peças para um grupo de câmara tal qual é a formação do grupo. “Eu tinha a aspiração de ver a música do candomblé tocada por instrumentos clássicos, embora não seja a primeira vez que isso é feito. O maestro paraibano José Siqueira escreveu um oratório de candomblé com base em cânticos dos orixás pesquisados na Bahia. A nossa diferença é que fazemos com cânticos daqui, que são bastante diferentes”, diz José Amaro, regente do grupo, solista de canto e também diretor artístico do projeto.

OUÇA SUÍTE AFRO-RECIFENSE:
<< Faixa 1 - Cânticos para Eshu
<< Faixa 2 - Cânticos para Ogum

O resultado é um diálogo entre instrumentos de corda (violino, viola e violoncelo) e de sopro (flauta, clarineta e fagote), típicos de uma formação clássica, com sabor afro-brasileiro: tanto a percussão, por meio de atabaques do candomblé, abê e gongê, quanto o canto, preservado na língua iorubá, remetem à experiência musical e religiosa africana.
“Nossa ideia é partir das melodias e estruturá-las em polifonias distribuindo numa harmonia entre todo o conjunto. Isso faz com que a música seja altamente valorizada”, acredita José Amaro. Ao lado dele, a solista de canto Anástica Rodrigues imprime timbre feminino aos cânticos.
A apresentação deve seguir a progressão musical do disco respeitando a formatação dos rituais. “Vamos fazer exatamente como se faz nos terreiros: seguindo a roda”, afirma o regente. A suíte tem início com os Cânticos para eshu, segue-se com os Cânticos de ogum até os Cânticos de orishalá, que encerram a jornada. No total, são dez faixas.


RESGATE - “Herdamos uma tradição cultural dos africanos trazidos para o Brasil na época da escravidão. Temos que nos impor a missão de restaurar, reviver ou, pelo menos, não deixar morrer essa cultura”, diz José Amaro.
Com o resgate em mente, o Kori Orishá rodou 16 Estados brasileiros com patrocínio do Sesc. Passou por Acre, Amazonas, Roraima e Tocantins. No Sul, atravessou Paraná e Rio Grande do Sul. Entre vários shows pelo Nordeste, o grupo viajou por vários municípios pernambucanos e terminou a turnê no Rio de Janeiro somando um total de 42 apresentações. O lançamento da suíte é resultado de projeto aprovado pelo Conselho Municipal de Política Cultural da Prefeitura do Recife.

Serviço
Lançamento do CD Suíte afro-recifense, do grupo de câmara Korin Orishá ? Quarta (23), a partir das 20h, no Teatro Santa Isabel (Praça da República, s/nº, Santo Antônio). Ingresso: R$ 3. Informações: 3232-2939