quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Perdão, leitores, por estarmos fugindo do tema central do nosso blog. Mas é impossível nos calarmos frente a tanta crueldade humana. Que tipo de animais somos nós? É isso o que temos para dar? Se nos calamos é com isso que concordamos, ou somos minoria? Não somos e não podemos admitir que os adjetivos que vêm à mente quando vemos tanta barbaridade ser cometida se aplique também a nós por extensão, como seres humanos. Humanidade vil, covarde, impiedosa, imunda, nociva, doente!

Na foto, soldados iraquianos assassinados numa trincheira por soldados americanos enquanto empunhavam a bandeira branca, que sinaliza rendição.

Na matéria transcrita abaixo, cenas dos conflitos entre Israel e o grupo Hamas, dentro do território de Gaza.

O que é feito da paz?
Que Oxaguian, o deus que guerreia pela paz, seja impiedoso!
Desejo, do fundo do coração, que esses germes que se dizem humanos sejam extirpados do mundo. Não os soldados, porque são apenas armas, mas pelas mentes que nos jogam em um abismo cada vez mais fundo.


14/01/2009 - 08h24
Soldados de Israel atiram em palestinos com bandeira branca, segundo ONG


Jerusalém, 14 jan (EFE).- O Exército de Israel disparou contra uma mulher e três homens que estavam com uma bandeira branca quando estes saíam de casa após um ataque israelense na Faixa de Gaza, segundo a denúncia de um grupo pró-direitos humanos divulgada hoje pela imprensa. A ONG israelense B'Tselem afirmou, em comunicado, que uma testemunha, residente da aldeia de Khuza, disse por telefone que pelo menos uma mulher foi atingida, mas que não sabe o que aconteceu com ela, porque ele teve que fugir da área. O incidente aconteceu depois de, na noite de terça-feira, forças israelenses prepararem o terreno e demolirem casas nessa aldeia, próxima à fronteira com Israel. De acordo com o relato da testemunha, já de manhã, Rawhiya al-Najar, uma mulher palestina de 50 anos, saiu de casa com uma bandeira branca na mão para que o resto da família pudesse segui-la e deixar a casa. A testemunha acrescentou que após ser atingida, a mulher permanecia imóvel no chão sem que o resto da família ou os serviços de emergência pudessem se aproximar para prestar socorro. Segundo a fonte, os militares israelenses abriram fogo quando o grupo tinha caminhado 20 metros, e identificou os três homens como Muhammad Salman a-Najar, de 54 anos, Ahmad Juma a-Nahjar, de 25, e Khalil Hamedan a-Najar, de 80, aparentemente da mesma família. Após o ataque, muitos outros moradores se refugiaram em um edifício próximo, no qual pelo menos 46 pessoas esperavam ontem ser evacuadas. Um porta-voz militar israelense disse à Agência Efe que, depois que o Exército de Israel realizou uma investigação preliminar, tinha opinado que as informações "eram infundadas". "O Exército israelense tenta, em grande medida, evitar machucar civis e reitera que o Hamas escolhe lançar seus ataques contra cidades israelenses a partir de áreas civis", disse o porta-voz militar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Violência x magia Religião sem culpa em crimes


Matéria retirada do Jornal do Commercio
Publicado em 11.01.2009

Nos últimos meses, assassinatos bárbaros registrados no Estado foram associados a magia negra. Para estudiosos, não é possível fazer qualquer relaçãoA associação de crimes bárbaros a rituais de magia negra, feita pela polícia e explorada pela mídia em casos sucessivos, preocupa adeptos do candomblé. “Não cultuamos o diabo nem praticamos sacrifício com vidas humanas”, esclarece o babalorixá Adeíldo Paraíso, Pai Ivo, responsável pelo terreiro de Santa Bárbara de Xambá, em Olinda, e presidente da Associação Cultural e Religiosa de Matriz Africana, que está sendo criada em Pernambuco.
Na semana passada, em Caruaru, Jandeílson Mendonça, 23 anos, que se diz pai-de-santo, esquartejou Ciconed de Lima Bezerra, 36, atribuindo o ato a um espírito, fato associado à magia negra pela polícia. Há dois meses, uma família foi assassinada em Garanhuns, também no Agreste de Pernambuco, e no dia seguinte ao sepultamento, o corpo de uma das vítimas, adolescente, foi violado e encontrado com restos de alimento.
Pai Ivo vê nas associações de crimes à magia negra um reforço ao preconceito histórico contra os negros e os cultos afros, que foram tachados de feitiçaria para aumentar a perseguição aos descendentes africanos. “Nos terreiros de candomblé não se cultua a baixa magia”, diz, evitando a expressão magia negra.
A baixa magia é a executada em prejuízo de alguém, para destruir sua saúde, seus negócios, sua vida. “O que praticamos é o culto aos orixás africanos, à natureza”, diz Pai Ivo, observando que há culto ao ar, terra, água e fogo. “Infelizmente, o catolicismo achou de diabolizar a nossa religião. Por isso, quando alguém diz que está com o diabo, deve procurar a Igreja Católica, que criou a sua figura.”
No xangô há cultos com sacrifício de animais, mas todos bichos comestíveis (galinha, cabra, boi), observa Pai Ivo. Em outras ocasiões, o corpo do animal é ofertado inteiro à divindade, deixado nas matas e rios. “Em 55 anos de vida num terreiro nunca vi aqui nem em outro lugar o sacrifício de pessoas, nas casas sérias não se pratica atos bizarros nem truculência.” O sacrifício de animais é uma forma de agradecer a vida.
O babalorixá lembra registros históricos que apontam a presença de sacrifício e oferendas em várias religiões. O preconceito com os negros, que faz a sociedade se referir a eles como herdeiros dos escravos e não dos africanos, esconde as contribuições dos terreiros em diferentes fases da história, queixa-se Pai Ivo.
Estudiosos do sincretismo religioso encontram na quimbada, uma derivação da umbanda (mistura elementos do candomblé, igreja católica, pajelança e esoterismo), o culto ao mal, ao negativo. “Não fazem para tirar a vida, mas com a intenção de adoecer a pessoa”, cita frei Tito, da Ordem Carmelita, professor da Universidade Federal de Pernambuco. Ele é doutor em antropologia, estudioso de religião e cultura afrobrasileira.
Em todas as religiões há reconhecimento do bem e do mal, não necessariamente cultuando o segundo, completa a antropóloga Huda Stadler, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Grupos isolados também praticam feitiços e cultuam satanás. Num dos principais sites de busca da internet, o Google, há 141 mil documentos sobre como fazer magia negra. Muitos sites fazem cadastro de interessados para enviar materiais posteriormente. “Há seis meses, o filho de uma amiga, de 16 anos, que se interessava por satanismo, matou-se em casa”, conta a antropóloga Huda.
“Na Inglaterra e nos Estados Unidos, existem grupos religiosos de culto ao demônio”, informa frei Tito. A relação com o demônio necessariamente também não inclui o sacrifício humano, esclarece.
Frei Tito lembra que na humanidade, independentemente da baixa magia, há grupos religiosos que matam e se matam em nome de Deus, como os radicais islâmicos. No passado da América Latina, os povos maias faziam sacrifícios para obter dos deuses a chuva e os astecas também derramavam sangue em culto às divindades. No próprio Cristianismo, Cristo foi sacrificado como o cordeiro de Deus. O maravilhoso é natural ao ser humano. “Ao se benzer embaixo das traves, o goleiro está fazendo um rito mágico. Os próprios pentecostais, que repudiam a Igreja Católica por causa da magia, fazem ritos, como chás de pedaços da Bíblia ou sessões para afastar espíritos”, exemplifica. O tempo passou, “mas a humanidade é a mesma. Fracassou o pensamento iluminista francês e o positivismo de que a razão ia acabar com a parte obscura”.
http://jc.uol.com.br/jornal/2009/01/11/not_315014.php