segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Grupo 10.639: História e cultura afro nas escolas

Como é do conhecimento de alguns, a Lei 10.639 de 09 de janeiro de 2003 obriga o ensino da Cultura e História Afro Brasileira nas instituições de ensino em todos os níveis. Os obstáculos são muitos e em vários níveis: de professores, alunos, familiares e das próprias instituições de ensino, arraigadas pelo racismo institucional que não permitem que os avanços ocorram.

Desta forma, foi criado o Grupo 10.639, que visa reunir a sociedade como um todo, de diversos credos, grupos e etnias para que estas experiências sejam trocadas, fortalecendo o processo.

O Grupo 10.639 conta com sua presença por lá. Um grupo de email funciona como um espaço de trocas, onde a mensagem enviada por um membro do grupo, chega a todas as pessoas cadastradas, bem como as suas discussões posteriores. Esperamos que este espaço seja valorizado e contribua, mesmo que de forma pequenina, pela consolidação deste sonho.

O endereço do grupo é http://br.groups.yahoo.com/group/10639/



Esta mensagem nos foi repassada pela coordenação do Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil. Abaixo, transcrevo para vocês, a lei 10.639/03 para que todos conheçam o texto original e a partir dai participem dos debates para a fortalecer o processo de implementação da Lei. Essa Lei já tem cinco anos de assinada e até agora não se vê a prática. Retirado do site do Palácio do Planalto:

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.

Mensagem de veto Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

§ 3o (VETADO)"

"Art. 79-A. (VETADO)"

"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mais detalhes sobre a 1ª Caminhada Nacional em Salvador


Pessoal, é muito importante que Pernambuco demonstre união e força neste evento. Isso fortalece o CEN Pernambuco, uma entidade que tem sido fundamental para a realização de muitos projetos para as iniciativas das entidades negras do Estado.


Vejam como salvador está se preparando de uma forma bonita pra receber os participantes. Todas as árvores da cidade estão recebendo ojás, como fazemos com as nossas árvores sagradas do terreiro. Nas principais avenidas, nos parques, nas casas, é coqueiro, jambeiro, castanholas, tudo de ojá. Que demonstração linda de que a nossa fé está em toda parte! Vamos corresponder formando um grande grupo? A oportunidade é ímpar e por esse preço, incluindo ida e volta, alimentação e alojamento, não chegamos na esquina.

Abaixo segue o texto da divulgação oficial da caravana pernambucana do CEN/PE:


O CEN/PE - O Coletivo de Entidades Negras de Pernambuco é uma organização não governamental, presente em 16 estados brasileiros, com sede em Salvador-BA, sem fins lucrativos e sem vínculos político-partidários, constituída de associados unidos pelos objetivos comuns de cooperação mútua, parceria, diálogo local e solidariedade entre os diferentes segmentos sociais.

No dia 22 de novembro, ocorrerá um grande evento para o nosso povo de santo: a 5a CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA e 1a CAMINHADA NACIONAL PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA que é um evento organizado por diversas entidades de todo o país, para onde caravanas de vários estados estão seguindo. Pernambuco estará representada através do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras - e todos os que têm os mesmos ideais podem participar. Além da caminhada, muitas outras atividades estão programadas como roteiro cultural em Salvador.

Saída: 20/11/09, às 07h
Retorno: 23/11/09, às 07h

Programação:
20/11 - Programação cultural livre ( noite )
21/11 - Seminário ( 08h às 17h )
Programação cultural ( noite )
22/11 - Caminhada, concentração no busto de Mâe Runhó, na Casa Branca do Engenho Velho
Apresentações culturais de grupos regionais
Programação cultural ( noite )

Custo:
R$ 120,00 até o dia 15/11
R$ 150,00 após esta data

Ida, volta, hospedagem nos terreiros e alimentação conforme critérios estabelecidos pela comissão

*** VAGAS LIMITADAS ***


Contatos:
Babá Marcelo Uchoa - (81) 9728 4750 marcelo.uchoa@ketu.com.br
Luciana Marins - (81) 9604 7258 luciana.marins@ketu.com.br
Lindacy Assis - (81)9299 8221 lindacysilvaassis@yahoo.com.br

domingo, 8 de novembro de 2009

A 5a CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA e 1a CAMINHADA NACIONAL PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA é um evento organizado por diversas entidades de todo o país, para onde caravanas de vários estados estão seguindo. Pernambuco estará representada através do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras - e todos os que têm os mesmos ideais podem participar. Além da caminhada, muitas outras atividades estão programadas.

O CEN/PE está formando o grupo de Pernambuco que seguirá em dois ônibus para Salvador, mostrar nossa força e experiência como povo de axé. Vista-se de branco e inscreva-se. Os pacotes incluem o traslado Recife-Salvador, alojamento em casas de axé colaboradoras da Caminhada, alimentação, inscrição no seminário e programação cultural. Mais informações podem ser obtidas através do email cenpernambuco@gmail.com ou pelos telefones 81 - 9299.8221 (Lindacy Assis) 9728.4750 (Marcelo Uchôa).

Visite o blog do CEN/PE para conferir outras realiações desta iniciativa que vem fazendo a diferença nas nossas lutas por respeito e valorização: http://cenpernambuco.blogspot.com

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MÃE BETINHA - Elizabeth de França Ferreira - CEM ANOS



Elizabeth de França Ferreira, a inesquecível Mãe Betinha para todo o seu povo, nasceu em 29.11.1909. Há cem anos, a cultura afrodescendente brasileira ganhou um nome de força comparável apenas à das águas de Iemanjá Sabá que lhe guiavam os passos. O Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil lança o projeto Memorial Mãe Betinha, para que este grande exemplo continue vencendo o tempo e perpetuando os seus ensinamentos. O Memorial Mãe Betinha, Elizabeth de França Ferreira, é um projeto do Pólo Nacional de Saúde e Saberes Afro Brasil, que tem como metas, estimular e apoiar as comunidades terreiro no desenvolvimento de atividades ligadas à saúde e cidadania em seu entorno social.

O Memorial Mãe Betinha se integra às demais atividades desenvolvidas pelo Pólo na valorização de um personagem de grande importância em diversas esferas. Para o Candomblé, Mãe Betinha representou a resistência da religião à intolerância no período do Estado Novo e a preservação de um formato de culto de origem iorubana, o xangô recifense ou nagô em sessenta e cinco anos de sacerdócio. Em sua atuação à frente da comunidade do Ilê Axé Yemanjá Sabá Bassamí, Mãe Betinha representou liderança, consciência e força na defesa dos direitos e da posição da mulher na sociedade. Seu exemplo ainda vai além da esfera religiosa, quando trouxe para um dos bairros mais populosos e carentes da Região Metropolitana do Recife, olhares nacionais e internacionais que transformaram o seu terreiro em uma reconhecida fonte do saber popular.

O Memorial contará com exposição permanente de fotografias, vídeos e objetos que ilustrem a figura da yalorixá Betinha de Yemanjá Sabá e sua tradição. O acervo será construído a partir da disponibilização de material por familiares, amigos, descendentes na religião e pesquisadores que a tomaram como referência. A estrutura física cedida para o Memorial será o antigo local reservado por Mãe Betinha para atender e aconselhar os que lhe procuravam. O espaço foi preservado em suas características básicas, mesmo após o fechamento do terreiro, decorrente do falecimento da sua zeladora.

A inauguração do Memorial será realizada no dia 29.11.2009, em comemoração pelo centenário de Mãe Betinha. O local ficará aberto para visitas individuais ou em grupo de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, mediante agendamento, nos dias de funcionamento do Pólo Afro Brasil e das atividades religiosas públicas do terreiro.

A inauguração do Memorial contará com a presença de autoridades, pesquisadores, lideranças sociais e religiosas, familiares e descendentes do axé de Elizabeth de França Ferreira, além da comunidade que cresceu ao redor do terreiro que conta aproximadamente 70 anos de história. Neste dia serão promovidas palestras sobre a história de Mãe Betinha e sua atuação na valorização e preservação da identidade afro-descendente em 70 anos de sacerdócio, debates sobre a luta histórica contra a intolerância racial e religiosa, exibição do premiado vídeo As Yalorixás do Recife, que reúne mulheres ícones da cultura negra recifense desde o século XIX, apresentações do Afoxé Omim Sabá, do Projeto Capoeira São Salomão, feira de arte, literária e coquetel aos convidados. Após os debates e coroando o evento, acontecerá a Festa de Iemanjá do Ilê Iyá Axé Ogê L´Awô, dentro da tradição Ketu, que sucedeu o Ilê Axé Yemanjá Abassami, do qual Mãe Betinha foi sacerdotisa.

domingo, 1 de novembro de 2009

Recife celebra Zumbi


No dia 3 de novembro, pela manhã, o Núcleo Afro da Prefeitura do Recife promove um encontro às 7h da manhã para celebrar a abertura do mês da Consciência Negra. O local do evento será o ponto onde Zumbi, um dos grandes nomes da resistência negra à escravidão, depois de morto, teve sua cabeça exposta para que a população aprendesse o que aconteceria com quem o tomasse como exemplo. Terça-feira, o que será exposto em um dos pontos mais movimentados da capital pernambucana desde o século XVII, vai além dos cabeças dos movimentos negros. Estará à vista de todos, a nova consciência das pessoas em relação às suas lutas e à resistência. À tarde, 15h, a Caminhada do povo de terreiro parte do Marco Zero.

Dia 03 – Celebrando o Mês da Consciência Negra

Horário: 07:00 Café da Manhã com Lideranças do Movimento Negro
Local: Memorial Zumbi dos Palmares - Praça do Carmo.

Tema: Celebrando Zumbi e Promovendo uma Cultura de Combate ao Racismo e toda forma de Intolerância.
Participação: Quilombo Cultural Malunguinho - Afoxé Elegbara – CEPIR – GRAC – MNU - Rede de Negras e Negros LGBT - Secretaria de Culrura/Fundação de Cultura-Núcleo Afro – Secretaria de Direitos Humanos -Diretoria da Igualdade Racial/PCR.

Informação: 3232-2308 / 8767-6533


"Zumbi nasceu em Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar destas tentativas de aculturá-lo, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.

Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.

Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."

Fonte: Wikipedia