quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espírito Natalino

Por Iya Ngangalecy

É tempo de Natal! Não tem como não falar no Natal, sendo Natal!
Mas, me perguntariam: O que uma candomblecista tem a ver com essa data? Incoerência! diriam outros. Antiquada, afinal sincretismo está em decadência. Mas, é Natal. Candomblecista, evangélicos, budistas, judeus, ateus, todos frequentam shoppings, assistem TV, leem jornais, ouvem rádios, vivem o Natal. A cada esquina, em cada calçada deparamos com um PApai Noel, suado, cansado, com as bochechas avermelhadas pelo sol causticante dos trópicos, tentando encher seu próprio saquinho, e conseguindo encher o do consumidor, no afâ de amealhar aquele que provavelmente seja o seu priomeiro salário do ano. Pois bem, Bons Velhinhos, renas, luzes, muitas luzes, panetones e outras tantas iguarias e junto com tudo isso o "Espírito de Natal". Talvez esse seja o maior apelo comercial utilizado pelos mercadores. Mas, se pensarmos bem, esse "espírito natalino" existe sim. Senão, não seria "garoto propaganda", como coadjuvante do Sr. Barbudo.

É Natal. Ah! é Natal, sim. Percebemos que é Natal! E o que eu tenho a ver com isso?
É tão difícil dissertar sobre o Natal, quando o espírito Natalino ainda não incorporou, ainda não deu passagem. Estranha essa sensação. Confusa até. Tento viver o Natal, com a intensidade que ele nos pede. Tento pintar casa, faxinar, enfeitar, fazer listas, reunir amigos ocultos, natalinizar meus sentimentos, mas me falta algo. Falta-me o espírito natalino.

Repenso, vou aos búzios, investigo. O que há de errado?

Concluo: Oxalá, meu Pai, não usa vermelho, e Ele está em mim os 365 dias do ano! Feliz Natal a todos nós, e que o espírito natalino esteja em nossas vidas todos os dias.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Marcha mundial pela paz para centro histórico de Olinda




Grupo Chinelo de Iaiá que se apresenta hoje na Praça do Arsenal no Recife Antigo nas atividades da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência


Postado às 17:10 em 16 de dezembro de 2009 no Blog de Jamildo/JC Online

A Marcha Mundial pela Paz e Não Violência parou o Centro Histórico de Olinda na manhã desta quarta-feira (16/12). Cerca de mil pessoas, entre elas 400 crianças da rede municipal de ensino, idosos, agentes comunitários de saúde e integrantes do Pro Jovem e entidades da sociedade civil organizada marcharam da Praça do Carmo em direção à Prefeitura embalados por orquestra de frevo, passistas e bonecos gigantes.

Muitos exibiam cartazes com fotos de pessoas desaparecidas e frases denunciando a violência contra mulheres e o abuso sexual de crianças.

Em frente à Prefeitura, os marchantes foram recebidos pelo Prefeito Renildo Calheiros, que formalizou seu apoio à Marcha após apresentação do coral e banda do Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo). Banners alusivos ao tema da Macha foram estendidos na fachada do centro administrativos e os sinos de todas as igrejas repicaram a um só tempo. O Coral Vozes do Silêncio, formado por 14 jovens com deficiência auditiva, também deu o seu recado.

"Esse movimento escreve uma página importante de sua história em Olinda. É um sinal de que a luta pela paz de todos os povos do mundo repercute em Pernambuco e essa marcha significa um passo impostante na construção de um mundo melhor", discursou o prefeito, lembrando que a cidade tem uma memória de luta e resistência e desempenhou um papel importante em movimentos como a Revolução Praieira de de 1848.

A porta-voz da Marcha em Pernambuco, Cristiane Prudenciano, afirmou que o movimento, que começou no dia 2 de outubro na Nova Zelândia e termina dia 2 de janeiro na Argentina, não encerra a luta pela paz. "Pelo contrário. Queremos levar uma comitiva pernambucana para Punta de Vacas para que juntos possamos discutir e definir ações para os próximos anos", disse. Mais de 20 mil ativistas de todo o mundo são esperados na finalização da Marcha, em Punta de Vacas, aos pés da Cordilheira dos Andes.

Uma equipe internacional da Marcha, composta por ativistas da Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Índia e Itália, está em Pernambuco desde ontem (15) para dar início ao percurso em terras brasileiras. O estado foi escolhido para dar esse pontapé por causa de seus altos índices de violência urbana.

Agora à tarde, desde às 15h, a Marcha volta a se concentrar, desta vez na Praça da República, onde os manifestantes aguardam ser recebidos pelo governador Eduardo Campos. De lá seguem pela Ponte Buarque de Macedo, Avenida Rio Branco e Rua do Bom Jesus, finalizando na Praça do Arsenal da Marinha, no Recife Antigo. No local haverá um ato público e shows dentro da programação do Ciclo Natalino recifense. Irão se apresentar Chinelo de Iaiá, Grupo Tokada, Coco de Umbigada do Guadalupe, DJ Zero, Tiger e Nação Corrompida. Os discursos serão traduzidos na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Haverá, ainda, a ação de grafiteiros e frevioca.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Inauguração do Memorial Mãe Betinha fomenta novos passos

No último dia 29 foi aberto ao público o Memorial Mãe Betinha, uma iniciativa do Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil que homenageia a falecida ialorixá Elizabeth de França Ferreira no dia que marca seu centenário. O evento que reuniu diversas gerações e nações do Candomblé pernambucano tornou-se muito mais que uma homenagem ao passado, mas uma porta para a articulação de grandes idéias.
A tarde de domingo reuniu pessoas ansiosas por pisar novamente o espaço que lhes abrigou por décadas. Aos poucos, filhos de santo de Mãe Betinha chegavam reconhecendo o ambiente, observando, analisando. Os familiares trouxeram com eles velhos amigos, vizinhos e admiradores desta ilustre senhora. Também tocados com o projeto, estiveram presentes representantes de diversos terreiros e nações do Candomblé de Pernambuco.
A mesa de apresentação foi presidida pelo babalorixá Marcelo Uchôa, sacerdote do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô e coordenador geral do Polo Afro. Também compuseram Lindacy Assis, do Coletivo das Entidades Negras de Pernambuco, CEN/PE, que falou sobre a importância da abertura de espaços que guardam os saberes afrodescendentes, de forma responsável e estruturada para uma formação cultural e educacional sólida da sociedade. Lia Menezes, pesquisadora, escritora do livro As Yalorixás do Recife e diretora do premiado vídeo de mesmo nome, expôs sua obra que encantou o público presente. Investigando e tratando da importância das mulheres para a religiosidade de matriz africana em Pernambuco, As Yalorixás do Recife contém importantes registros de Mãe Betinha em entrevistas e imagens. Cristiane Prudenciano, da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violencia em Pernambuco demonstrou a importância da união dos esforços de todos para uma sociedade mais justa e fraterna. Jorge Barreto, presidente do Centro Espírita Caminho do Bem fundado por Elizabeth de França e seu esposo, Sr.Antônio Castilho observou o valor da união, com a quebra de barreiras e implementação de ações complementa em prol da comunidade. Finalizando, Marta Ferreira, filha carnal de mãe Betinha nos trouxe tocantes testemunhos por seus olhos de filha, mas não adepta do Candomblé, sobre a grande mulher, mãe, avó, esposa, líder religiosa e comunitária que foi Elizabeth de França Ferreira, Mãe Beta de Iemanjá Sabá. Após esta etapa, o evento recebeu brilhantes apresentações do grupo de capoeira Projeto São Salomão e do Afoxé Omim Sabá.
Marta, abriu oficialmente o Memorial ao público. O espaço destinado à exposição é o quarto da mãe de santo quando em período de atividades no terreiro e também onde ela recebia seus filhos de santo e consulentes. Móveis, objetos pessoais e de decoração todos eram pertencentes a ela e foram doados pela família e por alguns filhos de santo, assim como dezenas de fotos de acervos pessoais e colhidas de pesquisas publicadas, reproduzem a aura de simplicidade, beleza e fé deste personagem. O encontro também trouxe sinais positivos para a articulação de outros projetos do Pólo Afro, como a Biblioteca Comunitária, alfabetização de adultos, reforço educacional infantil e oficinas de artes variadas.

Mãe Betinha - Para o Candomblé, Mãe Betinha representou a resistência da religião à intolerância no período do Estado Novo e a preservação de um formato de culto de origem iorubana, o xangô recifense ou nagô em sessenta e cinco anos de sacerdócio. Em sua atuação à frente da comunidade do Ilê Axé Yemanjá Sabá Abassamí, Mãe Betinha representou liderança, consciência e força na defesa dos direitos e da posição da mulher na sociedade. Seu exemplo ainda vai além da esfera religiosa, quando trouxe para um dos bairros mais populosos e carentes da Região Metropolitana do Recife, Casa Amarela, olhares nacionais e internacionais que transformaram o seu terreiro em uma reconhecida fonte do saber popular.

Memorial Mãe Betinha
Local: Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô (Rua Jose Rebouças, nº 160, Vasco da Gama)

2º Orkontro do povo do Candomblé de PE

No próximo sábado, 12/12, a partir das 14h, os candomblecistas de Pernambuco farão sua confraternização de fim de ano. É a segunda edição do encontro que tem como base a maior comunidade de debates sobre o Candomblé do Orkut. O mobilizador é o babalorixá Jorge Viegas, que estende o convite também a outras pessoas de outras comundidades virtuais.

"Levaremos um fio de conta do nosso òrìsà ou algum objeto que o represente. Para evitar que alguém fique de fora, sem presente e tendo levado algum presente para alguém, lá, na hora, colocaremos os nomes no papel e faremos o sorteio", avisa Jorge.

A confraternização será no Marola Bar, na orla de Olinda, a partir das 14h. O lugar é fácil de achar, logo após o Clube Atlântico, a avenida segue pela beira-mar, no trecho do Forte, Gibi Lanches e Manicômico. O Marola é o primeiro bar da orla. Na comunidade, temos um tópico especificamente com detalhes do Orkontro de Pernambuco e contatos da organização.

Até lá!

Pernambuco avança nas discussões sobre religiosidade

O CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras de Pernambuco, a Casa Xambá, o Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô, o POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil, o Ilê Oxum Gafunê, a Tenda Espírita Jesus, Maria e José, o Ilê Alá Obiketu Axé, o Ilê Omoisu Oguian, a Nação Maracatu Leão de Judá, a Assessoria de Direitos Humanos do Gabinete do Deputado Paulo Rubens Santiago, o Centro Espirita Templo dos Deuses e o Templo Espirita Caboclo Rio Negro, dão o ponta pé inicial na construção do Fórum Pernambucano da Religiosidade de Matriz Africana, tendo a honra de lhe convidar para participar da I Reunião do Comitê Pró-Forum.

Por entender a urgência do assunto, o CEN/PE tem feito diversas articulações com as representações religiosas do Estado e interior para que este espaço democrático não fique apenas no papel.

Fora a Sociedade Civil, diversos representantes estão sendo convidados para a I Reunião do Comitê Pró Fórum, tais como a Assessoria de Direitos Humanos, OAB/PE, CEPPIR/PE, UFRPE, UFPE, entre outras representações.

Segundo a Coordenadora Estadual do CEN/PE, Lindacy Assis, "O fórum é um espaço público, não governamental e apartidário. Não existe e nem existirá um dono que conduzirá o processo. Toda a Sociedade é chamada a discutir, organizar e encaminhar as propostas e para que se conheçam a fundo as demandas da População de Religiosidade de Matriz Africana. Todos os representantes de terreiros estão convidados a fazer parte do Comitê Pró Fórum, não existem cadeiras exclusivas".

O encontro será realizado no próximo dia 21 de dezembro as 18h30 na sede do SINTEPE, Rua General Semeão 51, Boa Vista (próximo a Universidade Catolica de Pernambuco).

Veja quem forma o comitê Pró-Fórum Pernambucano:

Babalorixá Marcelo Uchoa
Babalorixá do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô
Coordenador do POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afrobrasil
Coordenador Estadual de Religiosidade do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras
Mediador do Curso de Cultura e Religiosidade Africana

Egbome Lourdinha de Oyá
Casa Xambá
Coordenadora Estadual de Saúde do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras

Luciana Marins
Omorixá do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô
Coordenadora Estratégica para a Promoção da Igualdade do POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afrobrasil

Lindacy Silva Assis
Bióloga Ambientalista
Coordenadora Estadual do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras
Membro da Articulação IST/AIDS

Gaipê Adilson Bezerra da Silva
Gaipê da Kwé Cejá Sobô Adan
Mestre em Desenvolvimento de Processos Ambientais
Membro do Conselho Religioso do INTECAB-PE

Pejigan Clodomir Ferreira da Silva (Koy D´Ogyian)
Pejigan da Kwé Cejá Sobô Adan
Coordenador do Conselho Religioso do INTECAB-PE

Nacional - O Fórum Pernambucano da Religiosidade de Matriz Africana é uma das necessidades do Fórum Nacional da Religiosidade de Matriz Africana, criado na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (I CONAPIR), em cerimônia no Palácio do Planalto, Brasília/DF, sob coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Ele surge pela necessidade de se discutir políticas públicas para as Religiões de Matrizes Africanas. O Fórum Nacional foi aprovado pelo Ministro Edson Santos, da Igualdade Racial e Fóruns estaduais estão sendo criados para levar à esfera nacional os pleitos as Unidades Federativas.

O Fórum é um espaço não-governamental, sem coligação político-partidária, onde nenhuma entidade governamental ou da sociedade civil o tomará como próprio, sendo aberto a todos e todas para discussão, deliberação, reflexão, articulação, mobilização e aproximação de pessoas, voltado para assuntos de interesse da religiosidade de matriz africana. Será organizado por representantes de comunidades religiosas afro descendentes. Terão como pilares fundamentais orespeito, a ética e o segredo, na construção de um mundo mais solidário, democrático e justo.

São objetivos constantes deste Fórum o permanente e constante combate à intolerância religiosa, bem como toda e qualquer forma de preconceito e discriminação contra as comunidades terreiro; a construção e implementação de políticas públicas, religiosas, sociais, ambientais e culturais, voltadas para as comunidades de religiosidade de matriz africana; o mapeamento dessas comunidades no país; a instituição de um Conselho Sacerdotal, com anciões das religiões de matrizes africanas, para funcionar e deliberar como um conselho de ética e ouvidoria; e a desconstrução do olhar negativo da sociedade sobre as religiões de matriz africana, aumentando o conhecimento acerca da diversidade e a sensibilização para o respeito às diferenças e à legislação, entre outros.

O Fórum Estadual que está se iniciando é a forma de centralizar nossas necessidades, nossos desejos para a religião. Ele é o nosso porta-voz e por isso a opinião e participação de cada um de vocês é tão importante.