terça-feira, 23 de março de 2010

Dia Mundial da Água, sem muito o que comemorar

Ontem, 22 de março foi o Dia Mundial da Água. Neste dia, em 1992, foram assinados na Organização das Nações Unidas, ONU, a Declaração Universal dos Direitos da Água. É um dia que serve para refletirmos sobre o que fazemos pelas águas que nos cercam. E olhe que para nós, candomblecistas, essas águas não são poucas.

No Candomblé, a água é essencial ao culto. Oxum, a divindade do amor, da fecundação, da gestação, é considerada a deusa das águas doces, do ouro e da adivinhação. Iemanjá, a Grande Mãe, deusa dos oceanos, origem da vida em todo o planeta. Nanã, o orixá da lama, dos pântanos férteis cuja terra molhada foi moldada dando origem à humanidade. Oxumarê, deus da chuva e do arco-íris, dos ciclos da vida... Estes entre tantos outros como Logunedé, Ewá e mesmo os, a princípio, sem relação direta lendária com a água, não podem ser cultuados sem esse elemento.

No entanto, é cada vez mais raro este elemento. Vivemos em uma cidade que recebe o título de Veneza Brasileira pela afinidade que tem com a água, os rios e os canais, no entanto, não é para os recifenses, este um elemento com o qual possa estabelecer grande intimidade. Convivi em uma casa de Candomblé que se encontrava a menos de 50m do Capibaribe. Mas para buscar um rio com água, se não limpa, ao menos tolerável, era preciso percorrer uma grande distância de carro. E isto é um "privilégio" de quase todos os terreiros. O que nos resta é apoiar como este que apresento logo abaixo.

Conheço o Recapibaribe há alguns anos. Donos de um espaço incrivelmente privilegiado que gentilmente abrem para
nosso prazer, no Capibar. Este bar fica plantado na margem do rio Capibaribe, na área do Poço da Panela. É conhecido por sua decoração sui generis, toda feita por peças recolhidas do próprio rio, que não pasavam de lixo e entulho e hoje fazem o astral do lugar ser ainda melhor. É bom parar de falar deles por mim, que a saudade de lá está chegando. Segue um release do projeto, retirado do blog do Recapibaribe.


PROJETO RECAPIBARIBE, DEFENDE O RIO CAPIBARIBE E SEU ECOSSISTEMA

Totalmente pernambucano o rio
Capibaribe nasce Serra do Jacarará, no município de Poção e deságua no Oceano Atlântico. A bacia hidrográfica possui aproximadamente 5.880 km que percorrem cidades importantes do estado: Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Salgadinho, Limoeiro, Paudalho, São Lourenço da Mata e Recife, ao todo são 250 km da nascente a foz. O Capibaribe é o cartão de visita da cidade do Recife que também é conhecida como a Veneza Brasileira, graças à beleza das águas do rio que cortam a cidade. Porém, ele não está sendo preservado, ao longo das margens encontramos lixo e até mesmo o escoamento do esgoto segue para o leito.

O casal Maria do Socorro e André Luiz Cantanhede luta em defesa do ecossistema há mais de 19 anos, com o Projeto Recapibaribe. “Nunca imaginei que o avanço da humanidade seria o aumento da poluição do planeta”, desabafou Maria do Socorro. O Recapibaribe nasceu da insatisfação do casal com as condições ambientais do rio, na opinião de Maria do Socorrro é a negligência do poder público e o descaso da população que prejudicam o ecossistema do Capibaribe. “Eu nasci aqui, me criei nadando nele, a minha família tirava o seu sustento do rio. Para mim é muito triste vê-lo nestas condições”, lamentou Socorro. O desejo de ver o Capibaribe menos poluído é a motivação do casal para dar continuidade ao trabalho de conscientização ambiental.

Todas as segundas-feiras o espaço Capibar é aberto ao público para a visita de alunos da rede pública e particular de ensino, no local estão expostos o lixo que é retirado das águas: televisão, latinha, garrafas, monitores de computador, dentre outros objetos. No Capibar grandes cantores regionais já se apresentaram: Nando Cordel, Mestre Salu, Arlindo dos Oito Baixos, a banda Cumade Florzinha, dentre outros. A renda dos eventos é voltada para a manutenção das atividades da ONG.

O Projeto Recapibaribe também realiza atos públicos para conscientizar a população da importância da preservação ambiental. De acordo com Socorro a ação mais emocionante aconteceu com a adesão de 73 pescadores que recolheram o lixo que fica nas águas do rio. “Saímos daqui do Capibar e acompanhamos o leito, no trajeto recolhemos 200 animais mortos em fase de decomposição”, contou Socorro.

Na opinião do casal Cantanhede o rio Capibaribe precisa da colaboração de todos, pois apenas com a união da coletividade o ecossistema será respeitado e preservado. “Eu acredito num mundo melhor e para isso é necessário que as pessoas lutem juntas por um mesmo ideal”, disse André. Socorro complementou: “Somente quando o ser humano sair do próprio individualismo para lutar em prol do interesse da coletividade, aí sim, iremos conseguir mudar a realidade que nos cerca”.

Projeto Recapibaribe
Telefone (81) 3268-2643
Rua Tapacurá, n° 101, Casa Forte, Recife, Pernambuco.

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