sábado, 8 de maio de 2010

Drogas e religião


A Revista Super Interessante, da Editora Abril, numero 278 (mai/2010) trouxe um texto do professor de filosofia e ética da Unicamp Roberto Romano que é muito interessante como reflexão sobre a tão desejada liberdade religiosa. Questionamos os procedimentos de outros gupos, mas temos dificuldades em nos conscientizarmos do nosso papel e da nossa participação diária para uma verdadeira implementação deste direito conquistado com o tempo. Estamos no meio de um processo que se arrasta a milênios e ainda tem muito tempo para chegar no ponto que sonhamos para hoje. Quem sabe após essa leitura, não agilizamos o processo?

Drogas e religião
Alucinógenos são proibidos no Brasil. Mas não para o Santo Daime. Isso é certo?

Os rituais do Santo Daime ganharam destaque na mídia em março, com o assassinato do cartunista Glauco por um dos fiéis de sua igreja. O alvo de tanta atenção foi uma das tradições da seita: o consumo da ayahuasca. Bebida alucinógena, a ayahuasca pode ser considerada uma droga. E drogas, você sabe, são proibidas no Brasil. Mas a ayahuasca é liberada desde que utilizada durante os cultos religiosos. Isso faz sentido? Faz.
O motivo: a liberdade religiosa de cada um. Graças à liberdade religiosa, podemos escolher e exercer as crenças que quisermos. Não precisamos esconder crucifixos, estrelas-de-davi, um exemplar do Alcorão. Para proteger essa liberdade, às vezes é necessário criar exceções ao que se considera ético, moral ou até mesmo legal na sociedade, como a feita à ayahuasca. O problema é que algumas exceções acabam prejudicando o bem coletivo. É nessa hora que a fé de cada um deve encontrar um limite.
Fé é particular. Não deve interferir no direito dos outros. Quando isso acontece, estamos diante de um crime. Por isso, o consumo individual de ayahuasca no templo é válido - mas induzir alguém a bebê-la em outro contexto não. Testemunhas de Jeová vetam transfusões de sangue, por uma interpretação que fazem do texto da Bíblia. Isso é aceitável, já que cada pessoa é responsável pelo próprio corpo. Mas o que dizer de um pai que impede uma transfusão vital para um filho? É possível que a criança não sobreviva - em nome da religião. Em países como Arábia Saudita, condenações à morte são proferidas contra aqueles que abandonam o islamismo. Mais uma vez, em nome da religião.
Esses são crimes contra os direitos individuais, ainda que representem, também, uma manifestação de fé. E vão contra os próprios ideais que geraram a liberdade religiosa, nascida junto com a democracia moderna. Mesmo depois da Reforma Protestante, no século 16, pertencer a uma crença não era um direito individual. Ordem política e religiosa eram unidas - a religião de governados obrigatoriamente deveria ser a do governante. Só com o iluminismo apareceram as formas jurídicas que protegem escolhas religiosas pessoais, justamente para que cada um pudesse escolher o melhor para si.
A discussão sobre liberdade religiosa no Brasil de hoje às vezes toma um rumo repressor. Apesar de laico, nosso Estado ainda é muito influenciado pelo catolicismo, praticado por mais de 70% dos brasileiros. E o catolicismo é uma religião dogmática - práticas que não se adaptem a ela não costumam ser toleradas (vide relações homossexuais e uso de métodos contraceptivos). No entanto, a Igreja se esquece de que foi a própria tolerância religiosa que a gerou. Não fosse uma estratégia do Império Romano de permitir que seus governados exercessem as crenças que quisessem, o catolicismo não teria prosperado no mundo. Isso significa que precisamos nos lembrar da importância da tolerância rleigiosa. Basta apenas que a sociedade e Estado fiquem atentos para evitar que da fé surjam crimes.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Seminário: Escravidão no Atlântico Sul e a Contribuição Africana no Processo Civilizador Brasileiro

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundacao Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceira com a Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), estará promovendo entre os dias 12 e 14 de maio, das 14h às 18h, o seminário “Escravidão no Atlântico Sul e a Contribuição Africana no Processo Civilizador Brasileiro”. O evento faz parte das atividades do Ano Nacional Joaquim Nabuco e marcará o lançamento da exposição itinerante “Para que não esqueçamos: O triunfo sobre a escravidão”.

Os seminários que serão realizados no auditório Benício Dias, localizado no Museu do Homem do Nordeste, terão o intuito de estimular o debate e a pesquisa histórico-social. Através de atividades desse gênero, existirão novas interpretações da sociedade brasileira, resultando assim na quebra e superação de preconceitos contra a população negra.

O evento é destinado a professores universitários e das redes de ensino de educação básica, estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores militantes e representantes dos movimentos sociais, além do público interessado no tema. Os seminários serão transmitidos pela internet através do link http://nabuco.fundaj.gov.br/aovivo


A inscrição é GRATUITA e a ficha pode ser retirada AQUI



Programação

Dia 12/5 (quarta-feira)

14h – Abertura

15h – Conferência de abertura – Negociando vidas: História de traficantes de escravos africanos

• Conferencista: Marcus Joaquim Maciel de Carvalho–professor titular História/UFPE

• Coordenação: Adolfo S. Nobre – Diretor do Museu da Abolição

16h Intervalo

16h20 – Mesa Redonda 1: Trocas econômicas e simbólicas entre as duas bordas do Atlântico sul: Relações Brasil e África

A mesa intenta discutir as relações entre Brasil e África, o papel e a importância dos povos africanos no processo civilizatório da nação brasileira, nas suas dimensões econômica, tecnológica, religiosa e cultural.

• Acácio Almeida Santos (PUC/SP)

• Lisa Earl Castilho (UFBA)

• Coordenação: Lindivaldo Júnior – Assessor técnico da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade do Recife

Dia 13/5 (quarta-feira)

14h – Mesa Redonda 2: Tecendo letras e lutas: Iniciativas educacionais do povo negro

Esta mesa tem por objetivo debater a dimensão educativa e suas diferentes expressões e experiências por parte da população negra de maneira a serem entendidas dentro do conjunto de ações sociais, culturais e políticas na busca/luta por outra representação e espaços sociais no contexto do Brasil escravista.

• Maria Lúcia Rodrigues Muller (UFMT)

• Itacir Marques da Luz (Secretaria Estadual de Educação-PE)

• Ana Flávia Magalhães Pinto (Doutoranda Unicamp/SP)

• Coordenação: Maria de Fátima Oliveira Batista – Coordenador do GTêre – Secretaria de Educação Esporte e Lazer – Prefeitura da Cidade do Recife

16h: Intervalo

16h20 – Mesa Redonda 3: Laços de família, relações de parentesco, afetividade e resistência: a família negra sob a escravidão.

Felizmente a escravidão não significou a destruição completa dos laços familiares, das relações de parentesco e das relações afetivas dos africanos e afro-descendentes. Em condições tão adversas, ao tempo em que muitas famílias eram destruídas, muitas outras foram formadas e conseguiram sobreviver ao regime de cativeiro. Essa Mesa Redonda visa trazer uma reflexão sobre o papel da família, das relações de parentesco, dos laços de afeto e da resistência negra no cotidiano do regime escravista brasileiro.

• Isabel Cristina F. dos Reis (UFRB)

• Cristiane Pinheiro S. Jacinto (IFMA)

• Solange Pereira da Rocha (UFPB)

• Coordenação: Rosilene Rodrigues – Diretora da Diretoria de Promoção da Igualdade Racial/Secretaria de Direitos Humanos e Defesa Cidadã da Prefeitura da Cidade do Recife

Dia 14/5 (sexta-feira)

14h – Mesa Redonda 4: Lutas políticas, organização e estratégias dos povos africanos no Brasil

Na luta contra a escravidão os africanos e afrodescendentes criaram organizações e desenvolveram estratégias de enfrentamento e resistência (política e cultural). A mesa discute a atuação e as estratégias dos diversos grupos e suas repercussões no processo abolicionista e no pós-abolição, em busca da plena cidadania.

* Isabel Cristina Martins Guillen (UFPE)
* Paulino de Jesus Cardoso (UDESC/SC)
* José Bento Rosa da Silva (UFPE)

* Coordenação: Drª Maria Bernadete Azevedo Figueroa Procuradora de Justiça – Ministério Público de Pernambuco – coordenadora do GT Racismo

16h: Intervalo

17h30 – Conferência de encerramento: O triunfo sobre a escravidão

* Conferencista: Ubiratan Castro de Araújo – professor UFBA, diretor geral da Fundação Pedro Calmon

* Coordenação: Rosalira Santos Oliveira – Antropóloga e pesquisadora (Fundaj/Dipes)

19h – Momento de Congraçamento: Apresentação cultural

Promoção Fundação Joaquim Nabuco

Diretoria de Pesquisas Sociais

Organização e Realização

Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros NEAB

Parceria: Prefeitura do Recife

Informações e inscrições:

www.fundaj.gov.br

neab@fundaj.gov.br

Inscrições gratuitas.

Será emitido certificado de participação.

fonte: Site Fundaj

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Inscrições abertas para a IV Exposição da Culinária Afro-Brasileira


O Núcleo Afro da PCR está com inscrições abertas para os terreiros que se interessem em participar como expositores da mostra Culinária Afrobrasileira no Ciclo Junino, evento que já está na sua quarta edição.

O processo de rotatividade dos terreiros expositores tem como objetivo garantir a visibilidade e o estímulo a todos, através da valorização, fortalecimento e divulgação das mais diversas expressões da cultura negra.

Realizado em 2009 no pátio do Museu do Estado na Av. Rui Barbosa, o evento foi um sucesso de público e reuniu casas de várias tradições de Candomblé e bairros da cidade. A expectativa é que 2010 seja ainda uma vitrine maior.

As vagas são limitadas e o período de inscrição para as Casas de Matrizes Africanas e Buffet Afro é nos dias 6, 7 e 10 de maio de 2010, das 9 às 16h, pelo fone 3232-2308 (com o sr. Edson Axé).