terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Blowin' in the wind



Diversos Candomblés de todo o Brasil dedicam o dia de hoje, 4 de dezembro, a cultuar Iansã, a deusa dos ventos, dos raios e das tempestades. A data parece ter sido escolhida para coincidir com o culto católico ao seu mito também associado aos relâmpagos e trovões, Santa Bárbara. Apesar de serem divindades distintas, as semelhanças possíveis entre estes personagens foram importantes para os cultuadores dos Orixás poderem venerar as forças da natureza em momentos onde a própria sociedade cristã solicitava isso.

Oyá, a deusa do rio Níger, entitulada de Iyá Mesan (mãe dos nove) de onde surgiu a corrutela Iansã, levanta com o vento gerado em sua dança guerreira, tudo o que está assentado, escondido e estagnado. Ela desestabiliza, dinamiza, vivifica, traz à luz, oxigena! Oyá é renovação, vida, morte e renascimento, destruição e reconstrução.


E quando aprenderemos a ouvir as respostas que o vento leva e traz nas nossas vidas? Quando aprenderemos o momento certo de agir? Quando aprenderemos a nos livrar dos parasitas que nos sugam, assim como ela faz com seu eruxim? São essas perguntas que Iansã nos faz quando arranca, como um furacão, as escoras que nos viciam e nos acomodam, nos impedindo de crescer.

 














Blowin´ in the wind (tradução)
Bob Dylan

"Quantas estradas um homem precisará andar
Antes que possam chamá-lo de homem?
Quantos mares uma pomba branca precisará sobrevoar
Antes que possa dormir na areia?

Sim, e quantas balas de canhão precisarão voar
Até serem para sempre banidas?

A resposta, meu amigo, está sendo soprada pelo vento
A resposta está sendo soprada pelo vento
Quantos anos uma montanha pode existir
Até ser dissolvida pelo mar?
E quantos anos algumas pessoas terão de viver
Até ser permitido que sejam livres?
Sim, e quantas vezes um homem pode virar a cabeça
E fingir que simplesmente não vê?

A resposta, meu amigo, está sendo soprada pelo vento
A resposta está sendo soprada pelo vento
 Quantas vezes um homem precisará olhar para cima
Até que possa ver o céu?
Sim, e quantas orelhas precisará ter
Antes que possa ouvir as pessoas chorarem?
Sim, e quantas mortes ele causará até saber
Que pessoas já morrem pessoas demais?

A resposta, meu amigo, está sendo soprada pelo vento

A resposta está sendo soprada pelo vento"

domingo, 28 de outubro de 2012

O apagão e essa tal evolução.

 
Mais um APAGÃO! Muitos prejuízos, pânico, insegurança... E todo mundo sentindo falta do que o Candomblé tenta preservar e muita gente despreza, reclama e até critica por ser ultrapassado e cansativo.

Estas são as horas de repensarmos nosso

s conceitos de evolução e sobre como nos tornamos dependentes. Colocamos nossa sobrevivência inteiramente nas mãos de fatores que não dominamos.

O chuveiro elétrico, a cafeteira, o microondas, a televisão, o ar condicionado, o computador! Enfim, trocamos o trabalho que liberta pela facilidade que escraviza.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ai, Xangô Menino da fogueira de São João!


Em Pernambuco, estamos no início de um dos períodos mais esperados do ano: as festas juninas. No entanto, nem elas se resumem ao mês de junho nem ao forró, às fogueiras e às comida de milho, apesar de serem estes, grandes símbolos do seu ápice no nordeste.

Segundo o site da Prefeitura do Recife, ao apresentar sua programação cultural para o mês, a festa de "São João" é a festa da fertilidade da terra e do homem. E temos que concordar. O santo também, porque deve ser uma honra para ele, emprestar seu nome para um espetáculo de tanta devoção.

No São João, a devoção, inclusive, não separa profano de sagrado, já que as origens destes festejos vêm de muito antes de algumas carolices cristãs. É o período de celebrar Juno, a deusa da família, em "ritos que envolvem o imaginário individual e coletivo, alimento para o espírito".

O fogo que aquece, prepara os alimentos, espanta os malfazejos e ainda reúne em volta das fogueiras, mulheres, homens e crianças, agrupando os diferentes, mas tão iguais nas suas aspirações e sentimentos. Junho é o período, no Nordeste, da colheita do milho, um dos elementos mais fortes na nossa mesa. A culinária típica nordestina é recheada de exemplos disso. Como não louvar a fertilidade da terra na colheita farta, prazer, resultado do esforço, suor e trabalho? Da casa para a vizinhança, da rua para o arraial e do arraial para todos. "Esse é o sentimento de devoção e alegria próprio dos festejos comunitários, aquecidos no fogo da fogueira e no coração da nossa gente".

Ai, Xangô, Xangô menino da fogueira de São João
Quero ser sempre o menino, Xangô, da fogueira de São João
Céu de estrela sem destino de beleza sem razão
Tome conta do destino, Xangô, da beleza e da razão

Viva São João, viva o milho verde
Viva São João, viva o brilho verde
Viva São João das matas de Oxossi
Viva São João

Olha pro céu, meu amor, veja como ele está lindo
Noite tão fria de junho, Xangô, canto tanto canto lindo
Fogo, fogo de artifício, quero ser sempre o menino
As estrelas deste mundo, Xangô, ai, São João, Xangô Menino.

Viva São João!